Uma plateia jovem e atenta na Câmara











De um tempo para cá tenho observado um fenômeno muito legal em Canela. Sempre observo a plateia presente nas segundas-feiras na sessão da Câmara de Vereadores. Há figuras emblemáticas, que não perdem uma sessão sequer, seja de maneira presencial ou online. Mas reparei, por mais de uma vez, a presença de indivíduos bem jovens ocupando as cadeiras.

Como eu fiz isso desde os meus 16 anos, posso afirmar que aquele nunca foi um ambiente com predominância jovem, aliás não me recordo de dividir a assistência mais do que duas ou três vezes com alguém de minha faixa etária na época. Em verdade, a política em si também não é muito frequentada pela juventude, talvez por falta de interesse ou por interesses diferentes dos comumente ali tratados.

Mas o fato é que estou vendo uma frequência na presença desse público, mas porque isso está ocorrendo? Aqui trago só meus palpites, tendo em vista que não pude conversar pessoalmente com essas pessoas para sanar minha curiosidade.
Sabemos que a política não é feita em uma reunião semanal cheia de protocolos e ordem de fala. Política é feita no dia a dia com o relacionamento de pessoas, neste caso públicas, tratando de questões que envolvem a sociedade.

E esse relacionamento não se restringe a momentos presenciais, mas cada vez mais de maneira virtual. Redes sociais são a forma mais eficiente de se passar uma informação, de divulgar um trabalho e, principalmente, de gerar discussão, às vezes produtiva, muitas vezes não.

Portanto o contato com a política e com os agentes políticos é instantâneo. Basta uma medida ser tomada e ela se torna de conhecimento de um número enorme de pessoas, podendo ela provocar satisfação ou justamente o contrário. Por isso considero esse o primeiro motivo por vermos caras novas se interessando pelo meio. As discussões são mais acessíveis.

O segundo motivo, e esse é mais momentaneamente exclusivo de Canela, é a renovação em larga escala da câmara municipal nas últimas eleições, tendo o feito quase inédito de eleger várias caras novas e alguns considerados pela idade de jovens, dos quais eu me incluo. E não pode-se negar que isso cria uma certa conexão com um grupo que talvez não se via representado antes ou que percebeu que esse meio também dá vez à juventude.

E o terceiro motivo que acredito estar relacionado a isso é a insatisfação com o poder público e seu funcionamento. Canela viveu alguns episódios sem adjetivos adequados nos últimos anos. Perdemos coisas importantes, valorizamos as coisas erradas e criou-se um ambiente de descrédito político. A repulsa é tão grande que pode criar alguns cenários.
Claramente para uma ampla maioria a insatisfação e o descrédito provoca um sentimento de indiferença, haja vista a amplamente repetida expressão de que política não se discute. Mas também há uma minoria que se incomoda por ver algo contrário ao que considera correto e entende que deve participar mais ativamente e, em alguns casos, tentar dar uma contribuição.

Eu acredito que um jovem que se desloca até a câmara, ou acompanha de maneira remota todas as segundas-feiras as sessões está enquadrado nesse cenário. Dentro do partido político que sou filiado há um número crescente de jovens filiando-se, portanto o interesse pela política parece estar sendo despertado nos jovens canelenses. E que bom que há pessoas assim.

Quando se fala em se apropriar de sua cidade é isso. Participar de decisões, ter um olhar atento ao que está em pauta. Reclamação é um direito de todo cidadão, mas não vejo um futuro muito representativo se não migrarmos da reclamação e insatisfação para a ação em si. E isso exige participação.