Um pequeno estacionamento de grandes discussões











Semana passada foi, definitivamente, muito emblemática para mim: tive a minha primeira experiência de críticas mais pesadas que já havia vivenciado, tanto na vida legislativa, quanto na pessoal também.

Depois de protocolar uma indicação, que nada mais é que uma proposição que o vereador faz direcionada ao Executivo Municipal, sugerindo um estudo para implantação de alguma ferramenta, a ser definida, para proporcionar a rotatividade de veículos no estacionamento da Rodoviária de Canela e esta medida ter sido noticiada nos portais e jornais da cidade, levei um susto.

Em poucos minutos já somavam-se centenas de comentários contrários à proposição e algumas dezenas de xingamentos um tanto quanto carregados de adjetivos dignos de um vilão.

Depois de assimilar bem a situação percebi que a ira provocada com tal indicação se devia a duas palavras chave: rotativo e cobrança.

Só que nem sempre essas palavras querem dizer a mesma coisa. Por rotativo entendo que a ferramenta a ser utilizada não necessariamente deve ser a cobrança. Vagas de permanência máxima de quinze, vinte ou trinta minutos, como as existentes em frente a farmácias, garantiriam a rotatividade que aquele espaço demanda sem cobrar um centavo sequer.

E nesse sentido talvez eu tenha sido mal compreendido, vou explicar. Parto do princípio de que o estacionamento da rodoviária foi criado e existe única e exclusivamente para atender os usuários da rodoviária.

Entretanto, caso um usuário da rodoviária na data de hoje tentar estacionar naquele pequeno estacionamento de dez, talvez quinze vagas, para esperar alguém, descarregar malas ou comprar uma passagem, garanto que não terá êxito.

Isso porque alí é um dos poucos espaços no centro de Canela em que não é cobrado pela vaga e devo ter isso em mente afinal de contas onde os trabalhadores vão deixar seus carros em horário de expediente?

Na minha opinião, alí é que não. A discussão sobre o estacionamento rotativo pago nas ruas da cidade deve ocorrer e levar em consideração esses fatores, mas não é no pequeno estacionamento da rodoviária que vamos encontrar a solução para esse embate.

Aliás, depois da “surra” virtual que levei na última semana, ideias valiosíssimas chegaram até mim e pude compreender as dores tanto dos que não tem onde estacionar seu carro durante o período do trabalho, quanto dos que necessitam do espaço no interior da rodoviária para usá-lo em curtos espaços de tempo. Esses últimos, diga-se de passagem, foram as pessoas que me procuraram, relataram a dificuldade de acessar o local e me motivaram a fazer a dita proposição na Câmara de Vereadores.

O que fica de todo esse aprendizado é que a palavra cobrança jamais será bem vista por parte de uma comunidade que já se sente cobrada demais e nesse sentido tem razão, ainda mais vinda do meio político que sofre, de forma justificada, de tanto descrédito e apatia por todas as razões que todos nós brasileiros conhecemos.

A crítica é o preço da defesa de uma posição e na nossa política falta posição. Defender uma pode ser arriscado, mas é fundamental para compreender todos os inúmeros lados que um mesmo tema pode ter.