Um ano de muitos desafios











Chegando ao fim de 2025 não posso deixar de fazer um breve balanço deste ano que, ao menos para mim, foi bastante atípico. E, naturalmente como estou inserido num contexto da política local este texto terá esse enfoque.

Tudo começa com muita esperança e expectativa. E isso não é exclusivo deste ano em específico, mas toda a vez em que se inicia uma nova administração e uma nova legislatura é natural que esses sentimentos estejam presentes dentro de grande parte das pessoas.

Claro que em Canela não foi diferente, afinal foram oito anos de um modelo interrompido por uma proposta vencedora que se baseia em mudanças significativas de práticas anteriormente adotadas.

Na Câmara, algo bem parecido. Renovou-se mais da metade dos nomes e, entre esses, uma leva significativa de jovens ingressando no mundo político, dos quais eu me incluo como o caçula do grupo.

Analisando bem superficialmente esse panorama se nota que o canelense apostou em algo novo, ou pelo menos diferente do que existia. Mas aos poucos a novidade vai dando espaço para a realidade. E a realidade nem sempre é tão fácil quanto se imagina.

Não gosto de entrar no mérito de quem fez ou deixou de fazer, mas é inegável que existe uma herança muito negativa construída por muitos e muitos anos por aqui. Não haveria espaço nesta coluna para enumerar todos, mas a título de exemplo eu destacaria todos os espaços culturais abandonados, eventos históricos desmantelados, migração descontrolada em massa, sobrecarregando a estrutura pública, clima político muito pesado, haja vista todos os escândalos que marcaram a cidade e serviços públicos a beira do colapso.

Honestamente não acredito que em um ano resolva-se questões que podem levar décadas para serem corretamente ajustadas. Há pontos importantes a serem corrigidos na nova administração? Sem dúvida. Mas há de se dar tempo ao tempo. Ainda restam três anos para se colocar em prática o que estava no Plano de Governo.

Até o momento a gestão dos Gilbertos me parece cautelosa com processos públicos para não cair na mesma postura de quem os antecedeu e acumular na prateleira uma pilha de Termos de Ajustamento de Conduta do Ministério Público.

Destaco aqui medidas cautelosas, mas absolutamente eficazes. Como o problema, dito por muitos como insolucionável, do comercio ilegal ao redor da Catedral de Pedra. Estamos na iminência do Natal e definitivamente a questão foi resolvida.

Já na Câmara de vereadores pude observar trabalhos muito interessantes. Mesmo em parte dependendo do funcionamento do executivo para real aplicação de indicações, projetos e leis, 2025 foi um ano, ao meu ver, bastante produtivo para a casa. E isso é mais importante do que parece. Não é novidade para ninguém que a palavra vereador não goza de muita simpatia para parte da comunidade, afinal de contas, os vários casos recentes de má conduta contribuíram em peso para isso. Aliás, tivemos uma porção de denúncias protocoladas, que, inclusive, provocaram a criação de uma comissão processante por mais de uma vez.

Mas mesmo com o receio para com quem ocupa este cargo, considero esse primeiro ano de legislatura muito positivo. Foi entregue ao Ministério Público um relatório robusto sobre falhas graves da Corsan, criamos Projetos de Lei que garantiram profissionais capacitados para partos humanizados no HCC, regulamos as abordagens na área central, criamos regras para punição de pichadores, responsabilização sobre a fiação solta e excedente nos postes, sugestões de lei sobre isenção de IPTU para APPs, criação de políticas públicas e fundos para a causa animal, além de uma reestruturação do nosso Regimento Interno o deixando mais adequado às necessidades atuais.

Claro que, infelizmente no que se refere a área de expansão populacional e urbana finalizamos este ano pior do que começamos. E é assim nos últimos 20 anos, onde todo o ano que passa a situação só se agrava. Insisto em dizer que este não se trata de um problema de Canela, mas sim o problema de Canela. Nossas maiores dificuldades estão centralmente ligadas a isso.

Mesmo assim, considero que este ano que se aproxima do fim teve decisões importantes para os outros que virão. Não posso negar que foi um ano diferente para mim. Mesmo sempre participando de agremiação partidária e me envolvendo em discussões da cidade, nada como adentrar de cabeça nas mazelas para conhecer genuinamente o lugar em que se mora. E posso dizer que algumas coisas me assustam por aqui. Canela tem muito mais aspectos positivos do que negativos, mas isso não a torna uma cidade menos complexa, pelo contrário.

Espero que em 2026 e nos anos seguintes o setor público consiga entregar as respostas que uma comunidade por vezes desesperançosa espera. E talvez a espera seja um pouco mais longa do que se imagina.