“Todo o dia é dia de confraternizar”











Jovem de Trinta Anos em um diálogo natalino. Estudante. Sem denominação religiosa.

Para você, como começou o Natal? Qual seu primeiro contato?

O primeiro contato da criança no Natal não é geralmente relacionado ao nascimento de Cristo ou alguma coisa que refere a religião. Acho que o primeiro contato da criança com o Natal foi com o “bum” capitalista dos anos 80. É um contato de ganhar presente. Um consumismo. Um materialismo. E, isso, foi pra mim também.

Eu lembro que não entendia o que era Jesus, mas eu entendia o que era presente. “Eu sei que no fim do ano eu ganho coisa”. Isso com quatro anos de idade já tinha essa compreensão. Inclusive uma das lembranças mais antigas que eu tenho foi num Natal que ganhei um vídeo game. Não lembro muita coisa antes disso, nem da mesma época. Mas, do vídeo game, eu lembro.

Mas, pra você, o Natal traz uma resposta?

Não, nada. Até porque isso é uma opinião pessoal. Muito subjetivo. Quando eu era criança não se comemorava em minha casa. Nós tínhamos uma religião que não era cristã. E, até depois que eu comecei a trabalhar em restaurante, comecei a ter um mal-estar inconsciente. Por que hoje é um dia que eu sei que vou me consumir trabalhando. Vou trabalhar dezesseis horas por dia.

O Natal te traz uma lembrança positiva ou negativa?

Acho que se não propriamente uma lembrança positiva. Um bem-estar porque é um momento de confraternizar.

E, você acredita que o Natal seja uma tecla de escape do ser humano?

Eu creio que se você quer confraternizar, agradar, a gente sabe que se você não tem um estoque de comemoração natalina eu acho que isso deveria de ser aplicado no dia-a-dia. Inclusive o lance do presente. Hoje em dia tudo está atrelado ao dinheiro. É uma forma de agradar uma pessoa; dizer que você se importa. É usar uma parte do meu salário para te dar um presente. Acredito que é uma forma de agradar.

Quando você vê as várias decorações de Natal, que lembranças traz?

Hoje em dia é tudo tão midiático. Pra mim isso está tudo atrelado ao dinheiro. Até porque estamos em uma cidade extremamente consumista. Então, pra mim, está tudo tão atrelado a despertar um impulso consumista. A conectar o sentimento de uma lembrança da infância. A facilidade de lidar com as emoções dessas pessoas e ligar com o consumismo. Então, não consigo deixar de associar.

E como você se percebe na época do Natal? Como se sente?

Ah, eu gosto. Apesar de ter questão de crítica com o “pré-ensaiado” de voltar a ser amigo. Apesar disso causa um sentimento de ver pessoas comprando ou sendo felizes compartilhando presentes.

Então você acredita que a consequência do Natal ela é motivo de felicidade não tão quanto o Natal?

Eu acredito nisso. Assim como aconteceu a grande depressão ou que já viviam uma vida difícil. Eu acho que se está todo mundo feliz isso traz um sentimento bom.

Então o Natal, mesmo com o lado capitalista, tem seus pontos positivos?

Com certeza tem. Vou repetir: uma época de confraternizar. Onde está todo mundo comendo coisa boa. Ou, geralmente, na casa que eu vou fazem a ceia cinquenta pessoas e a virada umas setenta pessoas. Eu vou lá para cozinhar. Então vem naquele dia a galera. Já vem com roupa nova. Vem também meu primo e traz um peru. Vem outro e diz: comprei estes ingredientes para o Arroz à Grega. E, a Coca-Cola está totalmente atrelada ao Natal. “O Papai-Noel é vermelho por causa da Coca-Cola”. Vamos confraternizar. Vamos assar o peru, fazer Arroz à Grega. Vamos fazer Pudim de Forno.

E qual mensagem deixar de Natal?

Acho que Natal é dia de abraçar. É dia de chorar. É dia de dar rizada. E pedir coisas boas. Eu gostaria de chegar num mundo onde todos os dias chegar numa pessoa e dizer: que roupa bonita. Você está bonito hoje. Vai conseguir emprego. Todo dia é dia de confraternizar. Apesar de não conseguir viver isso.