Sonho de Natal











Canela se aproxima da realização da 38ª edição do Sonho de Natal, o maior, e possivelmente, o mais importante evento do calendário da cidade. Com ele esperam-se além de apresentações, decorações ocupando as principais ruas e a Descida do Papai Noel, uma série de programações durante os meses de outubro a janeiro, todos esses, como de costume, gratuítos.

Exatamente neste aspecto eu acredito que cabe uma reflexão. Será que o modelo adotado por Canela tem de ser exclusivamente gratuíto, como vem sendo nas últimas edições?

Certamente há justificativas e bons argumentos para defender e manter o modelo. Há, entretanto, uma outra corrente que acredita que o evento comportaria algumas programações e espetáculos com venda de ingressos, como já ocorreu no passado, inclusive.

Trago essa reflexão porque o que mais se ouviu nas últimas semanas era que o Sonho de Natal não aconteceria por dificuldades financeiras enfrentadas pela Secretaria de Turismo e Cultura de Canela. Claro que isso era pura especulação e sabe-se que ele não só vai acontecer como planejado, mas também trazendo várias novidades para essa edição.
Mas, mesmo infundada, seria uma preocupação que poderia ter certo sentido, afinal de contas é um evento que demanda milhões de reais para minimamente entregar um resultado ao que se espera de uma cidade com a tradição natalina e turística de Canela.

Não podemos nos esquecer que por muitíssimos anos tanto o Sonho, quanto toda a programação e operação da Secretaria de Turismo de Canela recebia nada mais nada menos que algo em torno de R$5 milhões anuais advindos do Parque do Caracol, que por 30 anos teve a concessão dada ao município.

Esse não é o objeto desse texto, mas cabe destacar que o Parque do Caracol, hoje cuidado, modernizado e mais atrativo do que nunca, foi entregue de mão beijada para o estado destinar da forma que melhor entendesse. Não houve briga, luta, nem mesmo defesa de algo crucial para Canela, que mesmo padecendo de manutenção e cuidado, salvava o orçamento turístico da cidade.

Perdemos o parque, perdemos o recurso que ele gerava e o que foi planejado para suprir a perda? Absolutamente nada.

Aí voltamos na reflexão de ter eventos pagos no meio da programação do Sonho de Natal. É evidente que ficou custoso e pesado para uma secretaria com limitações financeiras cobrir com o custo total da realização. Por mais que haja patrocinadores e leis de incentivo, há uma substancial parte que onera o orçamento anual do município.

E indo mais além, será que eventos unicamente gratuítos não atraem um público turístico que busca somente o evento gratuíto? Sempre é de bom tom lembrar que volume por si só não representa vendas, consumo ou geração de riqueza para a cidade, afinal, todo destino turístico que se preze busca por turismo qualificado como sobrevivência do destino.

Eventualmente algum espetáculo que busca o retorno financeiro poderia, na opinião de algumas pessoas com quem conversei a respeito, financiar decorações e atrações gratuitas,tornando o evento o mais autossustentável possível.

Mas não há como negar, é louvável o que Canela faz. Entregar um evento gratuíto desse nível exige dedicação de muitas mãos e há de ser justo ao reconhecer isso. Quantos municípios se aventuram a fazer algo parecido?
Porém, com a realidade que temos e com o objetivo que buscamos, acredito que valeria uma discussão mais aprofundada sobre o futuro do nosso Sonho de Natal e, principalmente, seu formato.