Sem água, mais uma vez…











Definitivamente acredito que a pauta número um dessa legislatura será algum tema relacionado à água ou esgoto. E mesmo ainda tendo praticamente três anos pela frente, honestamente, acredito que alguns dos problemas ligados à CORSAN ainda vão nos assombrar por um tempo.

Se eu for fazer um balanço do ano passado, diria que a cada dez pedidos da comunidade, no mínimo quatro foram relacionados a falta de água ou ruas abertas.

E mesmo supondo que os problemas de falta de água sejam sanados – o que em algumas localidades é difícil de acreditar – ainda teremos a cidade rasgada ao meio para instalação do sistema de esgoto cloacal nos próximos anos. Essa, claro, será uma das obras mais importantes da nossa história e como já tive mais de uma dezena de vezes a oportunidade de me manifestar, o problema não é o mérito e a obra em si, mas a forma como é executada por empresas terceirizadas que abrem e reabrem uma rua várias vezes e no final nem se dão ao trabalho da recolocação dos pavimentos.

Mas tudo isso tem uma ligação e provavelmente um fato gerador maior. A responsabilidade do planejamento da cidade, de sua expansão e do que é feito ou não é única e exclusivamente da Prefeitura Municipal. A prefeitura concede à CORSAN a gerência sobre a captação, tratamento e distribuição de água, bem como a coleta e tratamento do esgoto cloacal. Entretanto, a responsabilidade, mesmo concedendo esses serviços é do concedente.

Sei que isso não é exclusivo de Canela, mas acho improvável que uma relação entre concedente e concessionário funcione se não houver, no mínimo, uma estrutura dentro da prefeitura que acompanhe sistematicamente os trabalhos de uma empresa que está prestando um serviço em nome do município.

E digo isso porque não é da competência da companhia definir os rumos da cidade, isso cabe ao poder público de Canela. Na prática, se firma um contrato (normalmente com décadas de vigência) e, em outras palavras, se passa uma procuração para a empresa representar o município do que lhe diz respeito.
E mesmo sendo o modus operandi de praticamente todas as prefeituras e ter se tornado o usual, não acredito – e cada vez mais me convenço disso – que irá dar certo em lugar algum.

O município é quem deve planejar e controlar a questão hídrica. A execução da prática sim, essa é concedida, mas sempre deve estar de acordo com as linhas definidas pela cidade. A responsabilidade da CORSAN é atender o que está previsto em contrato. Nada mais.

Aliás, passa da hora de Canela, Gramado e São Francisco de Paula começarem a debaterem assuntos que têm em comum e o mais óbvio é a água. Ela é captada em um rio de uma, tratada e distribuída em outra e destinada à última.

Essa não é uma crítica a uma ou outra administração de agora ou passada, mas um tema a ser pensado e discutido. Problemas e situações adversas servem de oportunidade para repensar ações e prevenir eventos que, neste caso, são recorrentes há muito tempo.

No final, quem realmente paga a conta, literalmente, é a cidade e quem nela vive.