Planejar é urgente











Em meio às polêmicas envolvendo medidas drásticas adotadas por Gramado e propostas para Canela seguir o mesmo caminho no sentido de não permitir novos alvarás para o funcionamento de hotéis e restaurantes nas áreas centrais das cidades, tive um feliz contato com um município que faz o caminho oposto e defende o planejamento da cidade como base para tomada de decisões, não o inverso.

Ontem estive em Bento Gonçalves e tive a oportunidade de conhecer um projeto sensacional chamado Bento mais vinte. Basicamente é um núcleo de pessoas de diversas áreas temáticas que discute, propõe e encontra mecanismos de operacionalizar ideias para a cidade pensando em como estarão daqui há vinte anos e que cidade querem construir.

O trabalho nasce externo à política, com a participação de diversas entidades da sociedade civil, mas conta com ela para a ação das medidas propostas pelo grupo.
Ao que me parece, estão quase criando uma nova cultura em Bento Gonçalves quanto ao direcionamento que os entes políticos darão daqui para frente. As informações e leques de atuação do grupo são tão diversas que há, entre outras coisas, um excelente plano para qualquer governo futuro aderir.

E justamente essa visita culmina em um momento extremamente oportuno dada a discussão provocada em nossa região e nos mostra um caminho diferente do adotado por aqui.

A restrição à abertura de novos negócios em Gramado escancara o colapso das estruturas da cidade e evidencia a necessidade de uma mudança drástica de paradigma no funcionamento do município sob consequência da saturação do destino. E Canela não é muito diferente disso, mesmo sendo contrária a medida expõe fragilidades sérias em decorrência de falta de política pública e absorção de impactos sociais de Gramado.

Canela tem dez mil canelenses que trabalham em Gramado, geram riqueza em Gramado, impostos em Gramado, mas a responsabilidade de escolas, saúde e passivos sociais ficam a cargo de Canela. Por isso, tratar das duas cidades separadamente já não é mais uma opção inteligente, aliás, nunca foi.

Por isso saber que existem municípios tão próximos aos nossos executando medidas de mudanças profundas com pensamentos a longo prazo é tão reconfortante. E mesmo não tendo receita de bolo, nem fórmula pronta é um bom exemplo para prestarmos atenção, afinal de contas, estamos com a situação caótica atual por inércia e falta de ações mais contundentes.

Acredito que toda a crise crie oportunidades e, ao meu ver, a oportunidade da vez é compreender que não se pode mais deixar o Planejamento Urbano para amanhã ou depois. Se hoje temos problemas complexos, imagine daqui há vinte anos se não forem resolvidos de forma adequada? Teremos os mesmo problemas, mas acentuados e com soluções ainda mais complexas.