Parque é nosso











Essa semana começou com uma notícia muito boa, a possibilidade do Parque do Palácio pertencer a Canela é, enfim, uma realidade. Em um anúncio feito segunda-feira pelo prefeito Gilberto Cezar foi apresentado o Projeto de Lei assinado pelo governador Eduardo Leite que trata da doação da área para o município.

O projeto passará pela Assembleia Legislativa, mas ao que tudo indica será aprovado pelos deputados estaduais e, de forma definitiva, haverá mais clareza sobre o espaço, palco de muitas polêmicas nos últimos anos.

Há, claro, algumas condicionantes, uma delas é que o parque seja parque. E se qualquer outra atividade diferente disso for desenvolvida ali em um período de 15 anos, a área pode ser devolvida ao Estado. Considero essa uma medida fundamental para proteger o patrimônio de vontades políticas possíveis no decorrer dos anos.

Mas afinal de contas, qual a mudança prática na troca de propriedade? A grande mudança e importância nesse processo é o fim de qualquer insegurança sobre o futuro do Parque do Palácio e a possibilidade de desenvolver um projeto condizente com o lugar. Há muito pouco tempo um centro de convenções estava prestes a sair ali devido a um gravame do governo estadual, medida essa muito defendida pela administração municipal anterior.

Mas antes mesmo disso o parque já não vivia seus melhores dias. Foi alvo de desleixo por mais de um governo. Nem manutenção, nem segurança, nem mesmo um simples corte de grama. Só que aquela não é uma área qualquer, são 9 hectares do único exemplar da cidade intacto de características de Campos de Cima da Serra no coração de Canela.

Possuir uma área dessa nobreza na região central do município e cogitar fazer construções sobre ela não me parece muito sensato, ainda mais sabendo que uma importante fração dela seria destinada a construção de estacionamento. Isso seria quase um sacrilégio. Mas o fato é que essa medida protege esse patrimônio e, pelo menos na minha visão, dá a ele o seu correto e único objetivo que é ser um parque público.

Essa mesma visão foi defesa de muitos canelenses e, também, graças a resiliência destes, unida a vontade política, temos o resultado. Felizmente o mesmo deve ocorrer com nossos espaços culturais abandonados, como é o caso da Casa de Pedra, Teatro Municipal e Centro de Feiras em um futuro breve.

Espero que Canela se aproprie dessas estruturas históricas, tenha orgulho de possuí-las e não permita, seja o governo que for, que sejam tratadas com tanto desdém. Se hoje já seriam decisivas para as atividades da cidade (caso estivessem em funcionamento), bem como para a manutenção de uma riqueza cultural única, imagine em 20, 30 ou 40 anos.