O que é para um é para todos











A palavra regra, de acordo com o dicionário, significa aquilo que regula, dirige e rege. Regras se embasam na experiência humana e com elas formaram condutas, a priori, para garantir a boa convivência em sociedade. E uma sociedade que, por sinal, é diversa em origem, pensamento ou credo, é sempre desafiadora.

Canela viveu nesta segunda-feira uma operação que era esperada tanto para os que defendem quanto para os que são contrários ao comércio ilegal na lateral direita da Catedral de Pedra. Mais cedo ou mais tarde teria que acontecer, porque o que foi chamado de camelódromo ao longo do tempo estava, sem dúvida, em desacordo com as regras.

Para chegar a essa conclusão, vários fatores compõem essa ideia. O primeiro e básico: os produtos vendidos ali não são de manufatura indígena. Apenas por esse motivo a permanência no local já estaria em contrário entendimento da legislação, seja pela própria legislação que ampara os povos originários, seja pela ausência de comprovação de origem, algo considerado crime neste país. Além disso, o local (passeio público) tem por objetivo a locomoção de pedestres, mas estava obstruído.

Mas, em minha visão, o pior resultado possível da ocupação clandestina era a imagem para uma cidade que vive quase que em sua totalidade do turismo. Para qualquer pessoa que transite pelo centro de Canela por pouco mais de 15 minutos irá perceber que o único ponto onde acumulam turistas é ao redor da Catedral de Pedra.

E isso não é pouca coisa. A situação de fluxo turístico no centro já é muito deficitária e não serão armações improvisadas que irão contribuir para uma melhora, pelo contrário. Portanto, não se trata de uma operação frívola motivada por um capricho, mas do cumprimento de regras que, novamente, garantem a ordem em uma sociedade composta, naturalmente, por pessoas diferentes.

Jamais podemos negar, ou fingir não existir uma história da mais alta relevância acerca dos povos indígenas do Brasil, assim como dos que originaram nossa região. Mesmo sem saber, muitas de nossas ações carregam uma herança de quem estava aqui muito antes dos europeus. E existem legislações específicas que garantem, corretamente, em minha opinião, direitos importantes, mas também limites à conduta do que pode e o que não pode, como para qualquer brasileiro.E comércio irregular não pode. É lei, seja onde for.

Mas como toda medida polêmica – e essa era uma das maiores da recente história de Canela – gerou controvérsias. A maior que pude observar é o desdém com a operação por parte dos canelenses que acredita que há problemas maiores para a Prefeitura se preocupar. Pode até ser, mas não acho que isso seja impeditivo para a ação.

O poder público é dotado de áreas temáticas para atuação. O executivo municipal, por exemplo, detém secretarias específicas para tratar de questões da saúde, educação, assistência social, entre tantas, incluindo a fiscalização. Cada área deve agir dentro de sua zona de abrangência.

A não resolução de um problema não anula a resolução de outro. Até porque é um tanto quando difícil estabelecer o que é mais importante em detrimento de outro. As dores de cada um são diferentes e para cada indivíduo sua dor é mais importante que a outra.

Então como fazer para abranger todos? Seguindo as regras.