O poder da expressão “perdão”











Se há uma tarefa difícil no mundo, é perdoar. Perdão é simples de conceder, basta que sejamos verdadeiros. É de tamanha facilidade que são apenas duas sílabas. Não é nenhum vocábulo de treze letras tipo “longanimidade”. Entretanto, há uma condição: veracidade.

Atualmente, em decorrência das muitas atividades, não se opta por essa palavrinha mágica. Aqui parece uma linguagem tão infante, mas nem mesmo assim ela é utilizada. Afinal, cada um quer seu cada qual.

Lembro de uma metáfora. Perdoar é como escolher entre pegar a estrada asfaltada ou de saibro (terra, chão batido). O asfalto é mais cômodo. Não desgasta a lataria, nem suja a pintura. O saibro é escorregadio. É preciso andar bem cuidadosamente. E, o perdão não é diferente. Perdoar é andar no chão batido, calejado. Perdoar é desgastar-se. Precisa de uma atenção redobrada o tal do perdão. Não é de qualquer maneira que se perdoa.

Mas, analogamente, é simples como sorrir. Não necessita de muitas palavras, afinal são apenas duas sílabas. Assim, neste mundo pós-moderno, vê-se uma falta de perdão entre a humanidade. Uma prova concreta são os índices de morte por feminicídio. Se houvesse perdão pela parte agressora, a vítima estaria entre nós hoje. Por outro lado, muitos pais são submetidos a situações desoladoras por parte de seus filhos e, estes, são os primeiros a perdoar. Mas, ainda há filhos que não perdoam os pais pelas suas escolhas. Neste momento, a fidelidade é quebrada. Quando não se tem perdão, se desconstrói qualquer relação.

Em verdade, ainda há muito o que refletir acerca do perdão. Mas, só o fato de compreender que ele é simples, é o começo para uma nova vida, literalmente.