O mito da Vingança











Certa vez se reuniram dois sentimentos em um determinado consciente. Um se chamava Vingança e outro Paz. Foi um diálogo intrigante. A paz é aquela que escuta tudo. É aquela que pondera tudo. É àquela a paz. Tal conversa não se manteve apenas em escutar um ao outro. Contudo, um declinar de emoção por parte de uma delas. As duas conversavam entre si. O mais interessante, sem palavra alguma. Apenas com gestos e olhares. Já se preparava para sair que a Vingança esbravejou:

Estou só. Um mundo inteiro deixou-me aqui. Perplexa demais para voltar atrás. Júlio Cesar, grande imperador de Roma, já me cantava a mim: “Os corações têm fome de vingança e a vingança tem fome de vítimas”. Já alcancei o que buscava alcançar. Homens e mulheres brigando. Jovens em completa perdição. A vida em uma bagunça. Todavia, cansada estou. Chega de vingança. Chega de tudo isso.

Para que devo voltar a habitar tais corações que já me sentem e espezinham, afinal já não sou mais a mesma. Minha vingança chegou ao fim.

Passou o tempo e a senhora Paz apenas sorriu. Apenas observou a vingança e, num súbito respirar, apenas sorriu. Um sorriso inalcançável. Um brilho no olhar. Uma paz tão imensa que se traduz como um assovio do vento; leve, intenso e marcante. Fez-se isso durante um bom tempo. Tempo que logo chegou e foi contando:

Hora, pois, dias e anos atrás, muitos de vós estáveis contando comigo. Em suma importância vós eu sou. Assim, não oculteis vosso olhar. Haverá dias e anos que de minha senhoria sereis lembrados. Um minuto para cada tempo de hora é o tempo mínimo para voltar a si.  É o restante de alguns milheiros de segundos para, consigo, voltarem aos vossos significados e sentimentos. Não há tempo para perder, nem mesmo a ganhar. Há tempo para viver.

Escutado todo esse interim, Vingança e Paz calaram-se. Olharam-se. Fixaram-se e, num repique de ar compreenderam-se. “A tristeza é na vida o que a chuva é na natureza”. A tristeza da Vingança em não mais ser sentida foi, em seu tempo, exilada de dor. A dor não mais a aquecia. Assim, Vingança se confundia com dor e tristeza. Por fim Paz a abraçou. Como num breve milheiro de segundo metamorfoseou Vingança e Paz.

Moral da História

A vida é única. A vida é breve. Assim como o Tempo declara “um minuto para cada tempo de hora é o tempo mínimo para voltar a si”. Deixemo-nos ser transformados pela Paz. A tristeza é natural como a chuva é na natureza. Permita-se Paz!!