O gol do José











Ano passado levei a família para assistir alguns jogos da Super Copa Gramado de Futsal.

Sentamos bem atrás de um dos gols. O Ginásio Perinão estava cheio, o clima era de festa. Não é para menos. A Super Copa leva o nome da nossa cidade para todo o Brasil e transforma o ginásio em um verdadeiro ponto de encontro da comunidade.

No meio da partida, pênalti para o time que estávamos torcendo.

O ginásio inteiro prendeu a respiração.

Foi então que algo inesperado aconteceu.

O goleiro do nosso time virou em direção à arquibancada e começou a chamar:

— Ei, moleque! Você aí!

José, assustado com aquela situação completamente inusitada, respondeu:

— Eu?

— É você mesmo! Nosso time vai bater o pênalti… e eu não tenho coragem de olhar. Vou ficar de costas. Se sair gol, você comemora comigo. Mas reza para dar certo!

José respondeu sem pensar muito:

— Ok!

Enquanto isso, os jogadores já estavam posicionados para a cobrança.

José cruzou os dedos e fixou os olhos na bola.
O goleiro virou de costas e cobriu os olhos com as mãos, esperando o sinal.

O jogador se ajeitou.
O juiz apitou.

E então…

Gol!

José pulou da cadeira e correu em direção ao goleiro.
Os dois se abraçaram separados apenas pela rede de proteção que divide torcida e quadra.

Eles gritaram juntos, eufóricos.

Quem estava ao nosso lado comemorou junto.

Depois do jogo ainda tiramos uma foto. Mas, para falar a verdade, a imagem mais importante ficou guardada em outro lugar: na memória.

E essa ninguém tira.

O esporte tem dessas coisas.

Ele ensina a lidar com frustrações e alegrias, cria disciplina, constrói espírito coletivo e ainda faz bem para a saúde.

Mas talvez sua maior magia seja outra.

Ele cria encontros improváveis.

Momentos simples que se transformam em histórias para a vida inteira.

Felizmente, esse bom espírito ainda prevalece em muitos ginásios e estádios pelo país. Cada vez mais vemos famílias indo aos jogos, torcendo juntas. A “flauta” entre torcidas nunca vai desaparecer, ainda bem.

Porque onde o cidadão de bem está presente, o malandro não se cria.

Hoje começa mais uma edição da Super Copa Gramado.

E adivinha se nós vamos estar lá de novo?