O Fazer Política na Câmara











A Câmara de Vereadores de Canela sempre rende bons assuntos, principalmente quando as sessões “pegam fogo”, no sentido figurado, claro. E, naturalmente, depois da última sessão não poderia ser diferente já que mais de um embate bem acalorado foi travado na tribuna entre vereadores.

Esse inclusive foi parte dos temas de amigos que escrevem outras colunas aqui na cidade e, embora sabe-se que uma parcela considera entretenimento episódios assim, ao meu ver, cresce o número de pessoas que questionam essas recorrentes cenas.

Como já estive por muitos anos na plateia e hoje estou ocupando uma vaga do outro lado, tenho algumas conclusões sobre o assunto. Primeiro, acredito que o embate é inerente ao meio. Estamos falando de agremiações partidárias diferentes e que enxergam o funcionamento da cidade de modos, por vezes diferentes. Mais do que isso, o tempo muitas vezes nos faz querer compreender somente o lado em que estamos inseridos, vendo o oposto como algo ruim, o que, é claro, é algo muito negativo.

Além disso, o modelo previsto no Regimento Interno da casa dá a possibilidade de tratar dos mais variados assuntos possíveis de se imaginar. O primeiro espaço, chamado de Grande Expediente, é livre, ou seja, o vereador aborda o que quiser. O seguinte é específico da matéria que irá a votação. O terceiro volta a ser livre, bem como os seguintes. Portanto, a discussão pode e tende a ficar muito ampla e, por vezes, desconexa. Facilmente se observa que em determinados dias cada um dos parlamentares aborda um assunto diferente.

Entretanto, essa também é a única forma de poder tratar de tudo que envolve a cidade. Em verdade, os projetos e proposições não são discutidos nas sessões, mas sim nas comissões internas que, aliás, são abertas ao público. E com isso, as sessões podem se tornar um meio de promoção de cada um.

Portanto, a escolha, bem como a consequência de utilizar da sessão para alcançar objetivo que for vai de cada um dos vereadores. Há aqueles que a utilizam como um meio de discussão, como um meio de trazer os problemas relatados pela comunidade e dividi-los com os colegas a fim de propor medidas, como foi o caso da falta de água, das pichações, ou da busca por recursos que, sem exceção, se iniciaram em uma sessão ordinária e culminaram na elaboração de projetos de leis, comissões, relatórios, etc.

Mas também há, naturalmente, aqueles que utilizam os espaços para fazer campanha antecipada para si, ou para terceiros, o que não tem absolutamente nada a ver com fazer política. Fazer política faz parte de todos que, provisoriamente, ocupam um cargo político eletivo. Estabelecer contatos, buscar parcerias, discutir a cidade é fazer política e há a boa e a ruim. Não cabe a mim julgar, nem mesmo pontuar sobre as escolhas de cada um. O desempenho, a entrega de trabalho e a atuação devem ser aprovadas ou rejeitadas a cada quatro anos nas eleições municipais.

E mesmo sabendo que cada um dos vereadores tem um modo de trabalho diferente, e que participam de partidos políticos, sem os quais não seriam eleitos, portanto devem, pelo menos, fidelidade ideológica à sigla que estão filiados, sempre gosto de lembrar que fomos eleitos para, em última análise, representar as pessoas. Não prefeitos, não ex prefeitos, mas as pessoas de Canela.