O dono de Canela é o canelense











Essa semana protocolamos na Câmara de Vereadores o relatório final da Comissão Temporária de Fiscalização aos trabalhos da CORSAN. Trata-se de um documento que compila um acervo extremamente volumoso de reclamações, relatórios da empresa responsável pela regulação da companhia, fotos, registros da ouvidoria da Prefeitura Municipal, além de centenas de formulários enviados pela população a esta comissão.

Para se ter uma ideia, entre anexos e fotos seriam quase duas mil páginas colhidas e documentadas em pouco mais de sessenta dias. E o que isso quer dizer? Que o problema é realmente grave e de grandes proporções..

Como todo vereador de Canela já teve a oportunidade de falar em algum momento, a demanda número um de pedidos e reclamações na maioria dos casos se refere a algum serviço prestado pela CORSAN. No início do ano os casos de falta de água eram tão expressivos que era difícil pontuar qual bairro tinha a situação mais crítica. Começaram a ficar evidentes dezenas de vazamentos e tubulações rompidas, as vezes três no mesmo dia em ruas diferentes.

Passaram-se alguns meses e as obras de instalação do sistema de esgoto cloacal tomaram fôlego. Aí foi o caos total. Somou-se as ruas destruídas devido a atuação da empresa, os já habituais casos de falta de água e agora mais rasgos.

Ninguém em sã consciência pode ser contra a obra do aumento da rede coletora de esgoto cloacal. Essa deve, inclusive, ser uma das obras mais importantes da nossa história, haja vista que possivelmente Canela não tenha mais nenhum arroio ou rio sem estar completamente poluído.

Mas o problema não está no mérito da obra em si, mas na execução. Após instalada a tubulação existe um tempo necessário de compactação do solo antes de recolocar o pavimento novamente. Mas será que esse tempo é de meses? Mesmo não sendo técnico da área, tenho certeza que não.

E diante de todo esse cenário de guerra a população começa a se manifestar de forma mais contundente e, claro, cobra do poder público canelense alguma solução. E sabemos que a porta de entrada para o poder público são os vereadores, como bem representantes por definição que são. E aí surge a comissão.
Enquanto Câmara de Vereadores, em minha visão, foi a ação mais adequada e dentro das possibilidades do limite de atuação de um vereador.

O resultado desse trabalho é um relatório que traduz a angústia do canelense com a empresa. Mas o que fazer com ele? Em um primeiro momento, enviar ao Ministério Público na esperança de uma ação rígida e potente que este órgão pode dar. E também a prefeitura, uma vez que é a concedente do serviço, portanto, em última análise a responsável.

Mas o grande fato é: não só CORSAN, mas outras empresas de serviços essenciais tratam Canela como “terra de ninguém”, como se aqui não houvesse regras. Talvez a Câmara produzindo documentos sérios, que levam em consideração a aflição dos munícipes, e os entregando às autoridades com real poder de aplicar sanções, mostremos de uma vez por todas que Canela tem dono, e é o canelense.