Novos dispositivos, novas disposições











tinha dois, um de cada lado, então ela pegou um
mata-moscas para servir de mecanismo de busca

Maria Isis então fechou um dos olhos
e olhou através da tela
reparando em tudo que se dava a ver atrás dela

caso houvesse algo que fosse mais interessante na parte de baixo,
ela descia o mata-moscas até o momento em que a
atenção perdesse um pouco da graça.
a fim de ser mais precisa, ela movia lento
e cuidadosamente.
testava ainda aproximando ou afastando o novo dispositivo
na expectativa de aferir seus movimentos mentais mais sutis.
quando ela encontrava uma posição que atingia um estado ótimo,
ela passava a investigar o que estava no campo da tela

no primeiro enquadramento tinha uma caixa,
em cima do armário da dispensa,
verde, típica de hortifrúti,
com uma mangueira laranja, uma bolsa de viagem azul
e uma toalha de plástico.
estranho era, entretanto,
a recusa do corpo em deixar só a caixa dentro da tela,
seu entorno tinha que aparecer também

uma vez encontrado o ponto de estado ótimo,
só restou pegar uma escada
e checar o que havia lá em cima.
logo de cara ela viu um mapa para Dois Irmãos
(um doce de cidade)
era, na verdade,
um panfleto turístico carcomido nas beiradas
com alguns destaques da cidade.
de todos eles, o Palco Móvel era o mais curioso,
porque ele de fato se movia
ora pra cima, deixando livre a rua para os carros,
e ora descia para servir de palco a festas e artistas

cansada de olhar para as fotos, ela abriu o papel sanfonado
e encontrou um belo mapa da cidade ocupando
quase todo o verso como um pôster.
assim, ela, admirando os detalhes, tentou passear,
tirar alguma coisa dali, mas não, não era por ali
que ela deveria seguir,
até porque não era sensato visitar a cidade naqueles tempos.
de repente, sua feição se transformou: sim, ela sabia o que fazer.