Minha cara Norma











Minha cara Norma,

Não me venha com flores
ou cupons de beleza não
me venha laurear
com um laço
que nos outros dias me enrosca, enrola
e amordaça
 
quem gosta de se pintar 
que se pinte 

mas
que o cabelo raspado
a blusa branca e a
calça jeans
tal como o lápis no olho 
nos lembrem
que o corpo é uma tela
e não há como viver 
sem pintá-lo 

por isso que te digo,
minha cara Norma,
que essa tua escrita per(ver)sa 
cunhada em fundo vão
tá aparecendo mais como uma pichação sabe? 

no dia, minha cara, que 
você só transpassar o sólido
talvez você entenda
que não houve um paradoxo acima 

como um muro
o livre arbítrio é imperioso
e a tua escrita
está cada vez mais alheia àquilo
onde (se) inscreve

teu gesto
tua letra ou tua caneta
são tão naturais 
quanto a tinta do spray