Especial: Lar de Idosos Maria de Nazaré completa 10 anos

Idosas, profissionais e a coordenadora Regina Moretti. Foto: Laura Silveira PGN.










Com a ajuda de muitas mãos e sacrifício, foi inaugurado em 1º de outubro de 2011, pela gramadense Lacy Bertoluci Bertoja, o Lar de Idosos Maria de Nazaré, passando a funcionar plenamente em 1º de setembro de 2012, há dez anos. Com o objetivo de promover a melhoria na vida das idosas, a casa abriga mulheres acima de 60 anos, sem distinção de cor, raça ou crença religiosa, que estão em situação de pobreza ou vulnerabilidade social,

Atualmente residem no lar 19 idosas, 16 institucionalizadas, que são encaminhadas pela Prefeitura de Gramado (Assistência Social) ou Ministério Público e mais três mulheres que residem desde 2012, quando começou a funcionar.

O Lar é uma entidade filantrópica, sem fins lucrativos e se mantém com recursos financeiros da doação de pessoas jurídicas, pessoas físicas e 70% dos benefícios das idosas segundo Art. 35 da Lei nº. 10.741, de 1ºde outubro de 2003, de subvenções da Prefeitura Municipal de Gramado através da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, do Conselho Municipal de Idosos, do Conselho Municipal de Assistência Social, da Câmara Municipal, por meio de Emendas Impositivas e de verbas oriundas do Ministério Público e do Judiciário.

De acordo com Regina Moretti, coordenadora desde 2018, o Lar de Idosos Maria de Nazaré, desde que a idealizadora Vó Lacy (como é carinhosamente conhecida pela comunidade) teve a ideia de implantá-lo, foi erguido através da solidariedade. “O lar foi construído a partir da doação legal de terreno pelo senhor Walter Bertolucci em 26 de agosto de 2006. Sob a liderança da Lacy, desde o ano de 2001, como já se sabia da doação do terreno, foram promovidos eventos, promoções e rifas e contatamos com empresários de Gramado para arrecadar fundos para o início da construção”, conta Regina, que também faz parte da trajetória da casa desde o início.

Movidos pelo amor

Regina Moretti com parte da equipe de profissionais do Lar de Idosos. Foto: Laura Silveira/PGN.

Atualmente, o Lar de Idosos Maria de Nazaré conta com uma equipe de 18 funcionários formalizados, diretoria executiva, conselho deliberativo e fiscal. Na visão do presidente Paulo Roberto Alves da Fontoura, a função que ele exerce na instituição, de forma voluntária, é um compromisso que a comunidade deve ter com os seus membros que se encontram em situação de vulnerabilidade, sejam idosos, crianças ou pessoas com deficiência. “Não podemos esperar que o poder público faça tudo sozinho. É necessário que as pessoas estejam atentas para as suas responsabilidades”, coloca o presidente.

O vice-presidente, João Batista Rossi, conta que se ofereceu voluntariamente para trabalhar no Lar. “Eu estava acompanhando toda a parte de construção, pois sempre tive vontade de fazer um trabalho voluntário, para mim, é como um dever”. João lembra que seu trabalho começou aos poucos. Cuidava da parte financeira, organizava a grade de horários, do RH e depois de um tempo começou a participar das decisões, fazendo parte do conselho. “Hoje como vice-presidente, além do trabalho que já vinha desempenhando, ajudo a Regina nas decisões juntamente com o Paulo”, explica.

Para Batista, o Lar significa um lugar onde ele faz aquilo que acha de mais nobre na vida, que é fazer um trabalho ‘desinteressado’, sem recompensa financeira. “Já cheguei na casa triste por questões cotidianas e a sensação é que fui rejuvenescido. O trabalho lá é feito com muito amor”, diz o voluntário.

A coordenadora Regina Moretti coloca que o trabalho no Maria de Nazaré é uma lição de vida e que está muito feliz por estes 10 anos de existência. “Ter gratidão é demonstrar que sabemos olhar a nossa vida. É saber acolher o que ela nos dá. No lar de Idosos, cada experiência deixa um valor. A minha alegria é quando chega uma idosa para acolhermos e vemos ela melhorando a cada dia que passa, conseguindo fazer com que se sinta melhor”, expõe Regina.

Em relação a todos estes anos, a coordenadora revela, que seu maior sonho é cada vez mais ter a oportunidade de acolher as idosas carentes e ajudar com uma estrutura profissional que realmente faça com que elas tenham o atendimento que merecem. “Fazer com que os familiares entendam que são importantes na vida das idosas é muito importante, nos sentimos muito gratificados. Estou nesta caminhada desde o início, formulei o primeiro estatuto com a Vó e hoje, após 10 anos, entendemos o quanto é importante ter uma casa que atende essas idosas carentes”, expressa.

Há seis anos como cuidadora de idosos na instituição, Maria Anideni Macedo menciona, que nunca imaginou trabalhar em um lar de idosos e que hoje o local é como se fosse sua casa. “Pra mim é como minha família. Quando estou de folga sinto falta delas e elas de mim. Sinto que eu devia estar aqui”, fala a profissional.

Regina Moretti com parte da equipe de profissionais. Foto: Laura Silveira/PGN.

Dificuldades nestes 10 anos

Como lembram os membros da Diretoria, as dificuldades iniciaram lá no início e o auxílio da comunidade foi fundamental para que o Lar de Idosos Maria de Nazaré se mantivesse em funcionamento durante todo este tempo.

Fachada do Lar de Idosos Maria de Nazaré. Foto: Laura Silveira/PGN.

A coordenadora explica que as maiores dificuldades nestes 10 anos foram recursos financeiros para sustentar o Lar. “Aqui na instituição, as residentes possuem alimentação, roupas, disponibilizamos alguns remédios que elas necessitam, os outros solicitamos pelos SUS e os familiares também trazem, mas o que mais dificultou em todos estes anos, foi fazer o pagamento dos funcionários”.

Nesse sentido, João Batista recorda que em muitos momentos chegava ao final do mês e não havia dinheiro para pagar a equipe. “A vó começava a ligar para as pessoas e daqui a pouco o dinheiro entrava na nossa conta. Essa mão divina que atua nessas situações é que marca a gente. O nosso trabalho, mesmo o da Regina, que é grandioso, não se compara ao que a vó fez. A grande protagonista desse lar de idosos é a Vó Lacy”, conta emocionado.

O auxílio financeiro, no começo, era arrecado por meio de uma conta no banco chamada de “Corrente do Bem”, onde pessoas de Gramado e Canela doavam um valor todo o mês. A arrecadação mensal, na época, foi responsável por impulsionar o Lar. Atualmente, segundo a coordenadora, as doações devem ser feitas diretamente com os membros da Diretoria.

“Obrigada a todos que nos ajudaram nestes 10 anos, não podemos ser quem somos ou estar onde estamos sem o apoio de outras pessoas. Agradecemos a toda a Diretoria voluntária, a Prefeitura Municipal de Gramado, através da Secretaria de Cidadania e Assistência Social, ao Ministério Público de Gramado, ao Conselho Municipal de Idosos, ao Conselho Municipal de Assistência Social, a Câmara de Vereadores, as pessoas jurídicas e pessoas físicas, que em todos estes anos estiveram junto a nós”, agradece Regina Moretti.

Sobre a Vó Lacy

Quadro com foto da Vó Lacy na entrada do
Lar de Idosos. Foto Laura Silveira/PGN.

Nascida em 13 de março de 1926, em Gramado, Lacy Bertoluci Bertoja, é mãe de Sérgio, Fernando (in memória), Paulo, Renato, Marcelo (in memória) e Bárbara; avó de 12 netos e bisavó de 14 jovens.

Em 1953, passou a se dedicar ao estudo da doutrina espírita. A casa, primeiramente tinha sua sede em uma garagem junto ao Hospital Santa Teresinha. Em entrevista concedida há uns anos, Vó Lacy contou que ao pedir à Walter Bertolucci um terreno para construção do Lar de Idosos, aproveitou a oportunidade e solicitou um espaço para a construção da nova sede do Centro Espírita. Em 1991, foi fundada a Sociedade Espírita Esperança, com sede própria, no bairro Planalto.

Em 1997 constituiu o Núcleo de Estudos Ivan Albuquerque, na Várzea Grande. Ainda em 1997, no dia 23 de junho, foi criada a Fundação Espírita Maria de Nazaré, hoje Lar de Idosos Maria de Nazaré.

Vó Lacy foi uma das lideranças de Gramado, sempre envolvida em movimentos beneficentes, solidários e tinha um carinho enorme pela comunidade, a qual confortava os que a procuravam com palavras de carinho, amor e esperança. Faleceu em setembro de 2020, aos 94 anos.

Após sua partida, em 2021, a Câmara de Vereadores aprovou por sete votos, o Projeto de Lei do Legislativo 16/2021, de autoria do vereador Ike Koetz, que nomeou o espaço situado no loteamento Ipê Roxo, no bairro Planalto, como Praça Vó Lacy Bertoja.