Gramado e seus 500 milhões











A coluna dessa semana não nasceu do gabinete, nem em uma planilha. Ela surgiu em uma das tantas reuniões do dia a dia.

Em meio à conversa, um cidadão me disse algo que ficou na minha cabeça:
“Gramado faz parte dos 89% dos municípios brasileiros com menos de 50 mil habitantes. Mas, ao mesmo tempo, é privilegiada na arrecadação. São raríssimas as cidades desse porte que chegam a meio bilhão de reais por ano.”

A frase é verdadeira? Impressionante!
Sim!

E ela merece ser pensada com calma.

O orçamento municipal de 2026 prevê R$ 563 milhões para uma cidade com pouco mais de 40 mil habitantes. Isso é uma previsão, se tudo der certo, não tivermos pandemia, desastres naturais, arrecadaremos neste ano esse montante.

Porém, em um Brasil com 5.570 municípios, isso não é comum.

É exceção. E, dentro das exceções, Gramado ocupa um lugar ainda mais raro.

Busquei em diversos portais e podemos estimar que apenas 100 a 150 cidades brasileiras arrecadam entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão por ano. E destas, menos de 30 têm população inferior a 50 mil habitantes. Gramado está nesse grupo restrito.

Mas aí vem a pergunta que realmente importa:
isso nos torna apenas privilegiados?

O caminho até aqui não foi fácil. E muito menos automático.

E um detalhe que nos diferencia ainda mais dos demais municípios.

Aqui não há royalties do petróleo.
Não há mineração.
Não há receitas extraordinárias escondidas no subsolo.

O que existe é economia real.
Turismo. Eventos. Serviços. Comércio. Empreendedorismo.

Existe gente que investe, que arrisca, que empreende, que emprega e que reinveste. Existe uma cidade que trabalha. E é desse esforço diário que nasce cada real desse orçamento.

Por isso, é importante dizer com clareza: esses R$ 563 milhões não pertencem à Prefeitura. Eles pertencem à população. São fruto direto do trabalho de quem produz, consome, gera emprego e sustenta a máquina pública com impostos pagos todos os dias.

E quando a gente entende isso, a conversa muda de nível.

Um orçamento desse tamanho não é medalha, nem troféu.

É responsabilidade ampliada e que deve ser compartilhada. Por isso temos entidades fortes e participação popular qualificada.

Gramado exige cada vez mais gestão de excelência, planejamento sério, prioridades bem definidas e respeito absoluto a cada centavo arrecadado. Exige transparência, eficiência e decisões que estejam à altura da confiança que o cidadão deposita no poder público.

Gramado é uma cidade de empreendedores, não de dependentes. Aqui, o setor público não puxa a economia. Ele precisa acompanhar uma sociedade dinâmica, exigente e participativa. Uma sociedade que cobra, fiscaliza, opina e, principalmente, contribui.

Talvez o maior patrimônio de Gramado não esteja nos números do orçamento, mas no que eles representam. Uma comunidade ativa, trabalhadora e consciente do seu papel. Uma cidade pequena em população, mas grande em responsabilidade coletiva.

Quem pode estar presente na Audiência Pública desta semana viu e sentiu exatamente isso.

Os 500 milhões de Gramado não pedem aplauso.
Pedem sempre, respeito ao cidadão.
Um compromisso diário de quem governa.