Gita











“tá errado, não é isso não… ah, já
corrigiu” disse Edson, olhando pro celular

“é, Ed, escreve G-I-T-A mesmo”

falou Aline, a irmã de Edson,
que estava de visita pra passar
o Natal com os sobrinhos.
ela tinha um jeito despojado, falava
na lata com um forte sotaque
sem medo de errar

“me dá essa porcaria aqui
ah, haha! agora sim, dale Raul!
essa é a Maria Isis, faz e acontece!
Maria Isis, agora eu só vou te chamar de Gita!
é verdade que você deixou o Beto
sem resposta de novo?! Hahahaha!
‘sou raso, largo, profundo
Gita! Gita! Gita! Gita!’ hahah”

“mas sabe o que que é, tia, o Beto
tava xingando a imagem, só que ele
nunca brincou comigo, com a Rita
e nem sabe da carta enterrada”

“que p*rra é essa?!”
“ALINE! Olha a boca, pelo amor de Deus!”
“ai, Ed, que exagero. mas me conta, Maria
Isis, quem é Rita? e o que tem nessa carta?”

“nossa, tia! a Rita é uma caçadora de mistérios
que vai atravessar os sete jardins em busca
da carta enterrada! olha ela aqui”

e Maria Isis mostrou um desenho feito
em um papel, recortado com cuidado,
contornando a silhueta
“ainda existe boneca de papel? uau!
o que tem na carta enterrada?” insistiu Aline
“ué, não sei, a Rita ainda não achou…
mas posso te contar a história!?”

“filha, dá só um minutinho pro pai” e em separado,
Edson disse à Aline: “fica aqui com ela que
eu vou procurar Humberto, ele ainda não voltou…”