Fr’aeternu











Celeste me permitiste
o labor
e à Polônia me abriguei
refinando minha retórica de amor
em serras e prados
minorei a angústia
em augusta paciência

atravessando um mapa mundi
por pampas uruguaias
quantas vezes esperei
a tempestade acalmar
debaixo de uma marquise
me distraindo com piada qualquer

quantas vezes jovens sorrisos
de diferentes colarinhos
não me sustentaram?
sorrisos!

seria eu uma “jênea”?
eu mal sabia do abraço
da milenar música oração
a “minha” essência

chorei em uma segunda-feira
despretensiosa
ao ouvir o timbre da fé

quem veria esse reino invisível
guardado por erudito segurança
escritores e tradutores de ícones?
invisível

livrinhos em hebraico
em grego
escritos por mais
de mil anos
e mil almas
lidos por um leprechaun

ouço os ventos do deserto

o que mantém
a fonte do amor eterno?
peregrinos ou não
estamos todos com sede