Dos cegos do castelo











ela fez um movimento em falso
sob 
seus olhos, 
como se fosse ver as horas.
porém, o pulso estava nu.
com uma inflexão diferente na voz,
perguntou à Minnie:
“o que você está sentindo?” foi então que
do fundo do grupo
veio Humberto e disse:
“eu deveria te dizer receio
mas preciso falar que é melancolia”
“por quê?” 

por um instante 
apenas se ouviu a água do lago artificial

“porque, até certo ponto,
a gente só pode assistir”
ela arregalou os olhos
e depois apertou as pálpebras.
“e pra onde seus olhos estão mirando?”

aquela conversa era muito difícil e podia significar muitas coisas.
Humberto teve a sensação de condensar anos da sua vida
naquele diálogo
parecia que a porta da sua prisão estava aberta
e ele simplesmente não saía
pra ele,
a noite poderia ser uma conversa anônima
sem os nomes de cada história,
a noite já estava perfeita para ele
e por isso ela iria se desfazer em segundos

ele se deu conta então,

naquele instante,
que as conversas não permitiam que novas ideias
viessem à tona.
a dor que Humberto sentia jamais poderia ser dita
naquelas conversas banais, por exemplo.
assim, olhou para a nova duende, a escritora, e disse:
“eu não vejo nada; 
nada, nada, nada.”