Como anda a saúde em Canela?











Com a repercussão do caso da família que procurou atendimento no Hospital de Canela, a discussão sobre a estrutura de saúde do município ganhou muita força nos últimos dias, tendo pautado todos os veículos de comunicação da região.

Antes de mais nada preciso dizer que não entrarei no mérito da questão, tão pouco abordarei as diferentes versões sobre o ocorrido. O intuito desse texto é explorar o resultado que o episódio causou: uma enxurrada de manifestações positivas e negativas de como está a saúde em Canela.

O tema saúde é sempre o calcanhar de Aquiles de qualquer administração recente que passe por Canela. Sendo justo, acredito que seja o da maioria das cidades brasileiras, algumas delas com situações realmente caóticas.


Mas em Canela, pelo que acompanho nessa minha ainda curta experiência pública, não acredito que isso se deve à somente uma ou outra gestão da secretaria em si. Aliás, é temerário dizer que uma ou duas pessoas são responsáveis pelos resultados de tudo que envolve a pasta.

Como já tive mais de uma vez a oportunidade de me pronunciar sobre esse tema, acredito que os problemas de Canela (e isso inclui a capacidade de atendimento de saúde) têm uma causa bem mais profunda.

E mesmo que óbvia, não é de tão fácil resolutividade. Como pode um município com uma média superior a trezentos novos cartões SUS mensais não ter sobrecarga no sistema?

O descontrole habitacional, de imigração e a falta de gerência sobre isso provocam o colapso não de uma, mas de todas as estruturas públicas da cidade. Canela não é mais uma cidadezinha do interior do Rio Grande do Sul. Nos últimos anos a população mais do que dobrou e nesse mesmo período começaram a surgir as grandes áreas de moradia irregular do município.

A consequência de não planejar ou, ao menos, acompanhar o crescimento populacional desenfreado é o que temos hoje. Só para que se tenha uma ideia, a legislação obriga o município a investir no mínimo 15% na área da saúde. Em 2025 muito mais do que isso foi despendido e mesmo tendo números gigantescos de atendimentos, parece, aos olhos de parte da população não ser suficiente. E me incluo nesses.

No ano passado, somente o HCC realizou 83 mil atendimentos, o que representa uma média de mais de 220 atendimentos por dia! Mesmo sendo astronômico, é fato que há carências muito evidentes.

Une-se a um aumento desproporcional de demanda a falta de orçamento. O resultado não poderia ser outro.
Mesmo sabendo que uma gestão qualificada faz real diferença na oferta de serviços à população, me parece muita ingenuidade pensar que as dificuldades acabariam ali, de maneira isolada.

Se Canela quiser resolver integralmente tudo o que envolve suas adversidades, primeiro tem de olhar para o causador das mesmas. Meu palpite é que estão ligadas a anos de incapacidade de planejar o crescimento da cidade e que, infelizmente, não irão se corrigir sozinhas.