Colcha de retalhos











Me veio a imagem lá dos tempos que eu era pequeno, imagem de uma senhora na sala de minha casa fazendo uma coberta de retalhos. Era bem interessante. Haviam costureiras que iam nas casas e faziam isso. Costuravam a mão essa coberta. Demorava um tempo mas ficava um trabalho bem feito e muito bonito. Haviam também as colchas de retalhos que eram feitas da mesma forma.

Pois bem, em relação a vida vejo desse forma. Somos uma colcha de retalho onde quem a costura é o destino que nos presenteia com cada retalho e esses retalhos não são pequenos. São momentos, sensações, sentimentos, conceitos, e uma série de coisas que acabam nos compondo. E nessa colcha de retalhos, que são retalhos poéticos, tem aquelas pessoas marcantes que fazem parte dessa composição e da nossa história como por exemplo:

Não consigo lembrar o ano. Lembro do local e da cena. Um cara regulando de idade comigo, magro, alto e seus bonecos. Um acervo de marionetes fantasminhas. Era lindo de ver. Simples e de efeito. Aliás, algumas coisas que são simples se transformam através das mãos certas. Mãos mágicas que dão vida a seres e figuras de energias contagiantes. São personagens que nos levam a uma pequena viajem que nos marcam por um longo tempo. Especialidade desse cara.

Nessa época não havia a lei de incentivo. O incentivo vinha do público, vinha da bilheteria, vinha de alguma contratação para apresentar uma peça de teatro e nesse caso também da venda dos bonecos.

Esse cara, artista bonequeiro, jovem, transbordando em sonhos e histórias pra contar criou raiz em Canela e Gramado. E de lá para cá foram várias histórias. Histórias da vida e histórias de Bonecos. Histórias construídas na base da persistência e resistência. Não falo apenas do ato ativista revolucionário, do ato protestante em prol da cultura e da arte. Falo do agente. Falo da força física e psicológica do ato de resistir as diversidades que cercam o ser cultura, o ser artista.

Nelson é o seu nome. Nelson Haas. Um guerreiro.

Um dia desses, tempo atrás, conversamos e acabamos fazendo uma breve análise da jornada apontando prós e contras. Ali naquele momento reviramos o passado que já estava fragmentado na memória. Lembranças boas, os altos e baixos da lida, as coisas que nos fizeram sentir abençoados pelos seres de luz, as energias superiores, os amigos, as oficinas e alunos, aqueles que seguiram, os colegas, e os rumos a seguir.  

Recentemente recebeu uma justa homenagem no Festival Internacional de Teatro de Bonecos, que aconteceu em Canela. E isso foi mais que merecido. Foi um contorno no histórico desse artista, que ensinou e formou outros artistas, e que faz parte da nossa história em Canela e Gramado.  

Muitos tem gratidão pela tua manifestação artística e eu também.

Nelson siga semeando. As flores e os frutos já estão aí e muitos ainda virão.

E finalizo dizendo: Siga esse exemplo! Seja persistente na tua jornada, seja resistente diante das adversidades, solte o brado retumbante com os que merecem e seja um semeador como o Nelson que semeou a sua arte bonequeira.

Saúde e Prosperidade!