Cenário de Guerra











Talvez a demanda número um de qualquer vereador de Canela seja hoje algo relacionado a Empresa Riograndense de Saneamento, a Corsan. Seja falta de água, seja baixa pressão, buracos abertos ou ruas não finalizadas. E isso não é de hoje. Desde os primeiros dias dessa nova legislatura fomos bombardeados com pedidos e reclamações de todos os cantos de Canela.

No início do ano os casos de falta de água eram mais recorrentes. Em determinado momento havia a justificativa dada pela companhia de que se tratava de falta de energia elétrica constante na usina de captação. Imediatamente a Câmara reuniu-se com o responsável regional da empresa de distribuição de energia e aparentemente a situação foi sanada.

Mas a água ainda continuava ausente em muitas casas. Dessa vez nos foi passado uma série de ocasiões onde havia tubulações rompidas, justificando o não fornecimento contínuo. E isso provocava outro problema: uma vez aberto os pavimentos para o necessário reparo, nunca mais aquela rua seria como antes, agora havia ali um pavimento com um buraco ou com uma imperfeição muito aparente, ou seja, mais reclamações chegavam, além da falta de água.

Então com o passar dos meses ficou evidente que uma ação mais concreta e potente deveria ser adotada pela Casa do Povo. E assim foi criada uma comissão de fiscalização aos trabalhos da Corsan. O objetivo da comissão era produzir um relatório embasado na realidade da cidade diante da atuação da empresa e entregá-lo às autoridades com competência para aplicar as sanções necessárias em caso de não cumprimento do que prevê o contrato firmado entre município e companhia.

A fonte de dados foi farta, foram utilizados relatórios da agência reguladora que fiscaliza a Corsan, a AGESAN, todos os pedidos, denúncias e reclamações registradas na Ouvidoria da Prefeitura Municipal no último ano e quase trezentos formulários, desenvolvidos pela comissão, respondidos pela comunidade onde puderam relatar os problemas que enfrentavam, e foram muitos.

Neste momento o relatório encontra-se em fase final e eu considero essa a melhor ferramenta que a Câmara de Vereadores poderia utilizar para tentar, pelo menos, amenizar a situação, que inclusive pode piorar se uma rigorosa e necessária fiscalização não for feita por quem a compete.

Canela passa hoje por uma das obras mais importantes da sua história. Em pouquíssimos anos a cidade terá quase em sua totalidade a cobertura de rede de esgoto cloacal e seu devido tratamento. E sem tirar o nobre mérito desse fantástico avanço, mesmo não sendo técnico da área, me parece que a condução e execução da obra carece de certa organização.

Do centro de Canela em direção ao Parque do Lago percebe-se inúmeras ruas em que estão sendo instaladas as redes. Mas meu questionamento é se há a real necessidade de abrir os pavimentos de todas essas ruas ao mesmo tempo e não progressivamente.

Sabe-se que depois da colocação das tubulações há um tempo mínimo necessário antes que seja possível recolocar o pavimento novamente para que haja correta compactação do solo. Entretanto também sabe-se que não se trata de dois, três ou quatro meses, mas lamentavelmente é o tempo em que essas ruas permanecem em estado deplorável.

Nossa aposta agora é que o trabalho feito pela comissão nos últimos meses forneça subsídios para as autoridades conseguirem enfrentar essa situação que já ultrapassa a tolerância dos canelenses.

A ampliação da rede de esgoto que acontece hoje em algumas ruas centrais se espalhará por quase toda a cidade nos próximos meses. Há necessidade de forte fiscalização e também entendimento por parte da empresa de que não pode ser tolerado a conduta que hoje é aplicada em Canela. Afinal de contas, o contrato é claro quando diz que reparos em pavimentos devem ser feitos de modo que os deixem em igual ou melhor estado do que quando encontrados, caso contrário teremos uma cidade com verdadeiro cenário de guerra.