Atenção aos esquerdistas











Confesso: ando cada vez mais preocupado com os “esquerdistas” da nossa região.

Calma. Antes que alguém comece a preparar textão ou levantar bandeira, não é sobre ideologia. É sobre direção mesmo. Volante, bom senso.

Quem trafega diariamente pela Avenida das Hortênsias, nossa ligação entre Gramado e Canela, sabe exatamente do que estou falando. Aquela via não é apenas uma estrada. É uma artéria vital, onde moradores, trabalhadores e milhões de visitantes dividem o mesmo espaço, muitas vezes sem perceber que ali cada decisão ao volante afeta centenas de pessoas.

É gente atravessando com sacolas de compras dos atrativos turísticos, caminhões pesados, carros esportivos locados experimentando potência pela primeira vez, ônibus de excursão, entradas e saídas constantes de hotéis, parques, restaurantes e lojas.

Um verdadeiro parque temático sobre rodas.

Mas nada me angustia mais do que o clássico carro de passeio na pista da esquerda… passeando.

Ali, firme e convicto, mergulhado na magia que nossa cidade oferece, como se estivesse em um desfile de domingo, ignorando completamente que a faixa existe para fluxo contínuo. Não dá passagem, não mantém velocidade compatível, não percebe a fila crescente atrás.

Às vezes surge o braço para fora apontando um chocolate ou uma loja. Outras, uma freada brusca para tentar uma conversão impossível. E o trânsito, que já é sensível, entra em colapso emocional.

Se Gramado já foi chamada de shopping a céu aberto, hoje somos praticamente um grande parque temático urbano. E o maior desafio passou a ser equilibrar o convívio entre quem vive aqui e quem nos visita.

Isso exige mais do que paciência. Exige mobilidade inteligente.

A Avenida das Hortênsias é uma rodovia estadual, mas quem sente na pele seus gargalos somos nós, munícipes. Executivo e Legislativo têm cobrado, e com razão. Precisamos de uma avaliação séria de mobilidade para aquele trecho. Obras mal planejadas em plena alta temporada, plantio irregular de árvores de grande porte no canteiro central, sinalização confusa, calçadas descontínuas, acessos perigosos. Uma coleção de problemas que não combina com o nível de excelência que a nossa região busca oferecer.

Porque turismo de qualidade também passa por deslocamento seguro e eficiente.

Então fica aqui meu apelo. Se for usar a esquerda, use com propósito. Se não for, gentilmente dê passagem. A convivência no trânsito talvez seja o teste mais honesto de cidadania que existe.

E se você achou que esta coluna seria sobre política ideológica…

Calma.
Outro dia a gente fala disso.