à R.











hoje ninguém me descobriu
disfarcei bem as flores
que colhi, caídas
fui singela quando disse bom dia
e invisível aos alarmes corriqueiros

o céu fechado e a devassidão
descontinuada no andar
me servem de jazz
que desalinhado harmoniza

algo estava errado
mas encaixado.
continuo guardando o luto
com pesar e respeito
porém
veja só
está vindo à tona

pandemia…
quem me conhece me viu
faço praça na porta da loja
fechada
e agora
escrevo esta carta
para lhe perguntar:
o que deve voltar ao normal?
continuo pensando naquelas outras
e mesmas fogueiras

(sirenes cortam o silêncio)