“A correria dos tempos atuais fazem a gente esquecer que o importante são as pessoas”, diz Angela ao contar sua luta ao tratar um câncer de mama

Angela Soares. Foto: Arquivo Pessoal.










Outubro, um mês marcado pela prevenção ao câncer de mama. Mês onde mulheres no mundo todo relembram suas lutas, fortalecem suas forças, alertam outras mulheres, comemoram suas vitórias. Outubro é o mês do cuidado, onde a saúde da mulher, na maioria das vezes deixada de lado em detrimento da família é colocada em primeiro lugar. Um mês onde todas se unem para superar os medos, quebrar os tabus, desconstruir pensamentos e trazerem para si a certeza de que “Quem procura, acha. Quem acha, cura”.

Criado internacionalmente em 1990, o movimento tem o objetivo de conscientização para detecção precoce do câncer de mama. De acordo com o levantamento realizado pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), só no ano passado 2,3 milhões de mulheres foram diagnosticadas com câncer de mama. Também segundo o INCA, foram estimados 66.280 novos casos da doença para o Brasil em 2021.

Neste ano, a campanha traz como lema “Eu cuido da minha saúde todos os dias, e você?”. Além da importância da prevenção com as consultas e exames, a ação também alerta que a inclusão de hábitos saudáveis diariamente também ajudam a prevenir a doença. Segundo a doutora Marjorie Manente, ginecologista nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Gramado, uma boa alimentação, atividades físicas e hábitos saudáveis ajudam tanto na prevenção, quanto a realização anual dos exames.

“Nós que passamos por estes tratamentos, temos nosso momento de parar, se reencontrar e recomeçar”

É uma das lições apreendidas pela gramadense Ana Angela Soares, de 56 anos, ao relatar sua história sobre a superação de um câncer de mama. Angela fazia anualmente suas mamografias e conta que os laudos mostravam que ela tinha um cisto no seio. Nesse sentido, a Dra Marjorie diz que as mulheres em qualquer momento durante a vida podem apresentar um nódulo ou cisto e que isso não quer dizer que necessariamente seja um câncer.

Angela conta que bateu a mama no qual o cisto estava localizado e no momento sentiu muita dor. Ela começou a notar que após o episódio, ele cresceu rapidamente, foi aí que procurou um médico. “Quando ele começou a fazer o procedimento para a retirada do líquido do mesmo, percebeu que era atônito e que não era o que até então aparecera nos laudos. Logo pediu os exames e coleta do material para biopsia. Onde a médica responsável diagnosticou o tumor e comentou que fazia tempo que não detectava um nódulo tão grande. Então começou a caminhada”, relata.

Muitos exames, quimioterapia, mastectomia, radioterapia fizeram parte do tratamento, que segundo ela lembra, se sentiu sem chão naquele momento, como se não se reconhecesse naquela situação. Contudo, relata que aprendeu a viver um dia de cada vez. “Nós, que passamos por estes tratamentos, temos nosso momento de parar, se reencontrar e recomeçar. Vejo que para mim foi muito importante o encontro comigo mesmo”. Angela está curada, mas alerta que é necessário continuar com as revisões e recomendações médicas e destaca que realmente o que importa é a prevenção, as campanhas de conscientização, as campanhas anuais, “o Outubro Rosa que visa orientar as mulheres sobre a importância do autoexame e procurar médicos sempre que tiver qualquer dúvida pertinente”, coloca.

“Quero aproveitar este espaço para agradecer meus familiares e todas as pessoas que através de suas crenças, uniram-se em uma só oração para o reestabelecimento completo da minha saúde. Deus nos coloca provações por algum propósito neste plano e eu entendi que a felicidade está nas pequenas coisas do dia a dia como o calor do sol, a brisa em nossa face, o verde da natureza acompanhado do canto dos pássaros, etc… A gente aprende que a correria dos tempos atuais fazem a gente esquecer que o importante são as pessoas e não os bens materiais, pois o que levamos da vida são as experiências vivenciadas!”, agradece Ana Angela a todos que de uma forma ou outra estiveram com ela nesta luta.

Angela, o marido e o filho. Foto: Arquivo Pessoal.

“Todos os nódulos devem ser investigados com cuidado”

A ginecologista Marjorie Manente chama a atenção para a investigação dos nódulos ou cistos, que mesmo que não sejam diagnosticados como câncer, devem ser acompanhados com cuidado, principalmente em mulheres a partir dos 50 anos e que tenham uma história familiar (mãe ou irmã) com câncer de mama.

Conforme a doutora, exames como a mamografia, ecografia e até mesmo a ressonância magnética, na maioria das vezes são suficientes para investigar estes nódulos. Em alguns casos, é necessário prosseguir com a investigação e realizar a retirada de um pedaço pequeno do nódulo (biópsia), o qual será posteriormente encaminhado para o laboratório para constatar se o nódulo é benigno ou maligno. “Se comprovada a benignidade podemos acompanhar por exames de imagem periódicos ou mesmo retirar, se houver o diagnóstico de um câncer, então partimos para o tratamento”.

A especialista lembra que quanto menor o tamanho do tumor, menos agressivo será o tratamento e a chance de cura é maior e reforça a importância dos exames prevenção.