CORSAN e Prefeitura de Canela











Possivelmente não houve na história recente do município de Canela tamanho nível de intervenções nas ruas como atualmente. Isso certamente não é exclusivo daqui, com o Marco do Saneamento Legal (Lei federal 14.026/2020) uma série de requisitos foram objetivados aos municípios brasileiros, como 99% de água potável e 90% de tratamento de esgoto para toda a população até 2033.


Com a justificativa de falta de condições para financiar essas obras, o Governo do Estado do Rio Grande do Sul privatiza a CORSAN que realiza uma série de parcerias com os municípios gaúchos através de licitações e contratos e, neste caso, inclui-se Canela.


A grande mudança por aqui é justamente a instalação da rede de esgoto cloacal nos pontos da cidade em que eram ou que ainda continuam inexistentes, o que naturalmente traz impactos cotidianos muito consideráveis para a população, uma vez que é necessária a abertura dos pavimentos para a colocação das tubulações e ligações com as residências.


Acredito que ninguém em sã consciência possa ser contrária ao tratamento de esgoto. Tratamos disso de maneira tão tardia que possivelmente não há mais um arroio se quer em Canela que não esteja completamente poluído. Nem mesmo nosso cartão postal, a Cascata do Caracol, é imune a contaminação por esgoto.
A título de curiosidade, nos anos 90 Canela realizava, por conta própria, obras de esgoto cloacal. Se tivesse tido continuidade pelos governos que viriam provavelmente hoje seriamos referência nacional.


Mas retornando à atualidade, a grade crítica do contribuinte nem está na obra em si, mas na qualidade e andamento da mesma. Não são exceções as ruas que são abertas e reabertas uma porção de vezes. E mesmo respeitando o prazo de assentamento do solo sobre os novos tubos, passam-se semanas, até meses, sem o reparo nos pavimentos.


Como se não bastasse, há vários relatos de problemas com a nova instalação poucos meses após concluída. Soma-se isso ao fato de boa parte dessas ruas terem recebido o recapeamento asfáltico há poucos anos e casos onde morador ainda paga pela melhoria e vê sua rua ser aberta com a consciência de que jamais será a mesma.


Diante de tudo isso, recentemente a Prefeitura de Canela anunciou a suspenção total por tempo indeterminado de obras realizadas pela CORSAN/AEGEA. E justamente sobre isso é que eu gostaria de pontuar.


Acredito que a decisão em suspender temporariamente as obras é correta, principalmente para alinhar com a concessionária o andamento dos trabalhos. Mas também entendo que a prefeitura necessita de um corpo técnico capaz de acompanhar, fiscalizar e garantir o que prevê o contrato para evitar todo esse desgaste e descrédito que a população atribui a ambas.


Além disso, acredito que todo esse processo escancara uma a triste realidade de que em Canela o planejamento urbano é posto de lado. E aqui só vou focar no que diz respeito a CORSAN. Ora, era de conhecimento público que o Marco do Saneamento cedo ou tarde exigiria a tamanha interferência sobre as ruas canelenses. Será que o asfalto não poderia ter sido posto após instalação da rede?


Poderia até apostar que se consultados, boa parte dos contribuintes prefeririam aguardar o asfaltamento de suas ruas se soubessem que seriam rasgadas dessa forma.


Não são raras as vezes em que planejamento é posto de lado em prol de medidas eleitorais. Hoje, boa parte da população que pagou o tão sonhado asfalto se sente lesada pelo poder público, e com razão.