Da base ao topo: o projeto que transformou o Gramadense em campeão

Foto: @Gpaivafotos










A conquista da Copa FGF, o maior título dos 96 anos de história do Centro Esportivo Gramadense, não foi obra do acaso. O troféu erguido após a vitória nos pênaltis sobre o Brasil de Pelotas, que garantiu ao clube uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027 e na Recopa Gaúcha, representa o resultado de um projeto construído ao longo de décadas, tendo como principal alicerce a valorização das categorias de base.

Agora, embalado pela conquista histórica, o Gramadense volta suas atenções para outro grande desafio: o Campeonato Gaúcho A2. O objetivo é claro: buscar o acesso à elite do futebol gaúcho e seguir escrevendo novos capítulos em sua trajetória, que terá um marco especial em 2029, quando o clube completará 100 anos.

Mas para entender o momento vivido pelo Trem da Serra, é preciso voltar alguns anos no tempo.

Ainda em meados dos anos 2000, o Gramadense iniciou um projeto sólido de formação de atletas, iniciando um caminho rumo a profissionalização, na época a equipe se destacava no futebol amador, com conquistas do Estadual de Amadores (2009) e Sulbrasileiro de Amadores (2010). Mais do que revelar jogadores, o clube passou a investir na construção de pessoas, oferecendo oportunidades para crianças e adolescentes e fortalecendo uma filosofia baseada na continuidade do trabalho. O crescimento também passou pela valorização das pessoas que fazem o clube acontecer diariamente, dentro e fora de campo, criando uma identidade que atravessa gerações.

Com o passar dos anos, os resultados começaram a aparecer. Vieram conquistas importantes nas categorias de base, como a Copa Cidade Verde e a Sulicampe, além de campanhas que colocaram o clube entre as referências do futebol gaúcho de formação. Um dos principais marcos foi o vice-campeonato gaúcho Sub-17, em 2022, consolidando o Gramadense como um celeiro de talentos. O desempenho abriu novas portas para o clube, que, em 2023, viveu sua primeira experiência em uma competição nacional de categorias de base. Na Copa do Brasil Sub-17, o Gramadense fez uma campanha histórica e encerrou sua participação entre os 16 melhores clubes do país, reforçando a evolução do trabalho desenvolvido na formação de atletas.

Hoje, esse projeto reúne mais de mil atletas, entre projetos sociais, categorias de base e futebol profissional, tornando o Gramadense uma das maiores escolas de formação de atletas do Rio Grande do Sul e uma referência no futebol de base do país.

Mais do que formar atletas, o clube também passou a formar profissionais. E talvez nenhum exemplo represente melhor essa filosofia do que o técnico Gustavo Roloff Corrêa.

Ex-atleta das categorias de base do Gramadense, Gustavo construiu sua trajetória dentro do clube. Antes de assumir o futebol profissional, esteve à frente das campanhas que levaram o Gramadense ao vice-campeonato gaúcho Sub-17, em 2022, e à histórica participação na Copa do Brasil Sub-17 de 2023. E agora, de volta ao comando do Trem da Serra, liderou o grupo na conquista da Copa FGF, mostrando que a aposta em profissionais formados internamente também gera resultados.

O mesmo acontece dentro das quatro linhas.

O goleiro Maicon tornou-se um dos grandes símbolos dessa geração. Herói na disputa de pênaltis que garantiu o acesso ao Gauchão A2, voltou a ser decisivo na final da Copa FGF, defendendo a última cobrança do Brasil de Pelotas e assegurando o maior título da história do clube.

Ao seu lado, outros atletas formados ou desenvolvidos dentro da filosofia do Gramadense também assumiram protagonismo. O capitão Dieter é uma das lideranças da equipe, exercendo papel importante dentro de campo. O zagueiro Guilherme Bazzan acompanha o projeto desde os primeiros anos da parceria com o Esporte Clube Independente. Nomes como do volante Igor, zagueiro Emanuel, lateral Marco, goleiro Renan Pajé e atacante Pablo também representam a continuidade de um modelo que prioriza o desenvolvimento dos talentos da casa antes de buscar soluções externas. Casos recentes reforçam esse trabalho de formação. Durante a disputa da Copa FGF, os atletas Éder e Spencer, oriundos das categorias de base do CEG e que integravam o elenco profissional, ganharam destaque. Atualmente, Éder defende o Canaã de Brasília, enquanto Spencer veste a camisa do Internacional, dando sequência às suas carreiras no futebol brasileiro.

Mais do que casos isolados, o elenco campeão da Copa FGF é reflexo da filosofia implantada pelo Gramadense ao longo dos anos. Grande parte do grupo que conquistou o título histórico foi formada ou passou pelas categorias de base do clube, demonstrando que o investimento na formação não apenas revela talentos, mas também constrói equipes competitivas e identificadas com a instituição.

Essa identidade não está presente apenas entre os jogadores. Ela pode ser vista em praticamente todos os setores do clube, onde profissionais que cresceram no Gramadense hoje ocupam funções importantes, fortalecendo uma cultura construída com paciência, planejamento e senso de pertencimento.

Esse talvez seja o maior patrimônio do Gramadense.

Enquanto muitos clubes dependem de investimentos pontuais para montar equipes competitivas, o Trem da Serra colhe os frutos de um trabalho desenvolvido ano após ano, mantendo uma identidade que vai além dos resultados dentro de campo.

O título da Copa FGF simboliza muito mais do que uma taça na galeria. Ele comprova que investir na base, acreditar nas pessoas e preservar um projeto consistente pode levar um clube a conquistas históricas.

A temporada ainda reserva novos desafios, com o início do Campeonato Gaúcho A2. Mas, independentemente do que acontecer nas próximas competições, uma certeza já ficou evidente: o maior título da história do Gramadense começou a ser conquistado muito antes da bola rolar na final. Ele nasceu nos campos da base, no trabalho diário, na formação de atletas, profissionais e cidadãos que hoje ajudam a escrever um dos capítulos mais importantes da história do clube.

A conquista da Copa FGF é histórica por tudo o que representa, mas também porque comprova que o Gramadense encontrou um caminho próprio para crescer. Um caminho construído dentro de casa, formando atletas, profissionais e pessoas. Um projeto que, ao olhar para o futuro, mostra que os maiores títulos de um clube começam muito antes do apito inicial.