O que Gramado esconde?











Gramado é uma cidade linda. Admirada. Desejada.

Como dizia meu avô em um dos seus tantos mapas da cidade:
“Através de suas belezas naturais e seu clima, torna-se permanente atração turística.”

Ele estava certo.

Gramado cresceu. E cresceu muito.

Eu nasci aqui. E a Gramado de 38 anos atrás era bem diferente. Era menor, mais simples, com menos carros, menos prédios, menos pressa. Hoje somos uma das cidades turísticas mais conhecidas do Brasil, recebendo mais de 6 milhões de visitantes por ano e movimentando uma economia que ultrapassa R$ 500 milhões em arrecadação municipal anual.

Mas crescimento rápido quase nunca vem sem desafios.

Alguns deles são visíveis:
mobilidade urbana, trânsito, pressão imobiliária, falta de moradia para quem trabalha aqui.

Outros, no entanto, ficam escondidos.

E um deles passa literalmente debaixo dos nossos pés.

O esgoto.

Sim, esgoto.

De acordo com o Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020), todas as cidades brasileiras devem garantir:
• 100% de acesso à água potável até 2033
• 90% de coleta e tratamento de esgoto até 2033

Parece distante.

Mas não é.

Faltam menos de 7 anos.

E aqui surge uma pergunta inevitável:

Se Gramado não resolveu esse problema em mais de 70 anos de políticas públicas, conseguiremos resolvê-lo em menos de uma década?

A resposta é SIM!

Com a assinatura do aditivo contratual com a Corsan, as obras de expansão da rede de esgoto começaram e estão acontecendo em diversos bairros da cidade. Floresta, Piratini, Planalto, Várzea Grande.

Quem mora em Gramado já percebeu.

Ruas sendo abertas.
Buracos sendo escavados.
Máquinas trabalhando.

O pó das ruas de chão batido, que parecia ter ficado no passado com o advento do asfalto, voltou a ser companhia diária de muitos moradores.

É desconfortável, gera transtornos.

Recebo diariamente mensagens de moradores reclamando. E, curiosamente, muitas delas vêm acompanhadas de uma frase de resignação:

“Sabemos que é necessário.”

Sim. É necessário.

Porque saneamento básico não é apenas infraestrutura.

É saúde pública, preservação ambiental e qualidade de vida.

Segundo dados do Instituto Trata Brasil, cada R$ 1 investido em saneamento economiza cerca de R$ 4 em gastos com saúde pública.

Mesmo assim, o tema raramente aparece no debate público.

Talvez porque não apareça nas fotos bonitas.

Talvez porque esteja enterrado.

Talvez porque, como dizem alguns, “isso não dá voto.”

Mas existe outra questão importante.

Você sabe como essa rede funciona?

Você já viu o mapa da rede de esgoto da cidade?

Você sabe para onde o esgoto vai depois que sai da sua casa?

Já ouviu falar em soleira negativa?

Você sabia que quem não se conectar à rede disponível poderá ter acréscimo de até 70% na fatura de água, conforme as regras de universalização do saneamento?

São perguntas simples.

Mas a maioria das pessoas não sabe responder.

E isso revela um problema maior.

Serviços públicos não podem ser apenas executados.

Eles precisam ser explicados.

Precisam ser compreendidos pela população.

Porque quando a população entende, ela participa.

E quando participa, ela cobra melhor, fiscaliza melhor e ajuda a construir soluções melhores.

Foi justamente por isso que solicitei, com o apoio dos demais vereadores, a realização de uma Sessão Especial na Câmara Municipal dedicada exclusivamente ao saneamento básico em Gramado.

Queremos entender, mostrar, explicar.

Onde a rede começa.
Para onde ela vai.
Quanto custará.
Quais bairros serão atendidos.
E quais desafios ainda teremos pela frente.

Porque cidades que crescem precisam olhar não apenas para o que aparece nas vitrines…

…mas também para aquilo que está escondido sob o chão que pisamos todos os dias.

Gramado sempre foi conhecida por sua beleza.

Agora precisamos garantir que também seja conhecida pela responsabilidade com o seu futuro.