Pichação, separação de lixo e educação











Recebi no início desta semana uma imagem da proprietária de um imóvel privado no centro de Canela que, mais uma vez, amanheceu vandalizado. Horas depois, registros do mesmo trabalho em um prédio público, da mesma forma também recém pintado, circulavam nas redes sociais.

Há poucos meses atrás um jovem indivíduo canelense, devidamente já indiciado pelas autoridades, maculou esses dois prédios, além das casas dos artesãos e outro edifício na Osvaldo Aranha. A repercussão foi muito grande e até motivou a criarmos uma lei na Câmara de Vereadores que potencializava as formas de punição, reparação dos bens depredados, proibição da venda de tintas em spray para menores de 18 anos, entre outras.

Legislações bem parecidas auxiliaram algumas cidades brasileiras a lidarem melhor com os problemas advindos da pichação sem autorização e trouxeram resultados positivos aos respectivos municípios. Evidentemente que essa não é nem de longe a solução.

A solução passa por algo mais profundo. Algo que está relacionado a falta de zelo de parte da comunidade com o lugar em que vive e que produz mazelas conhecidas em Canela como a própria pichação, o som alto ou o depósito de lixo em qualquer lugar.

Esse “algo” se chama educação. Todos os exemplos de países desenvolvidos investem antes de mais nada na formação de seus cidadãos. Não que a punição adequada não seja importante, mas a educação previne o ato e, portanto, a própria punição.

O curioso é que todo mundo sabe disso e o tema é até batido, mas de fato não é traduzido para nossa realidade. Usando um exemplo bem prático e local temos a gestão de resíduos de Canela. No início dos anos 2000 éramos referência nacional em separação de resíduos, reaproveitando mais de 90% do que era descartado pelos munícipes. Nessa época lembro muito bem do ambiente escolar ser rígido no assunto e, efetivamente, o resultado era incontestável.

Passam alguns anos e em 2023 Canela reciclava apenas 5%. De 90% e uma comunidade engajada para 5% e uma comunidade que não separa mais. O que aconteceu? A resposta é óbvia: educação não estimulada e falta de interesse público resultaram nesse desastre, que para além de ser drástico ambientalmente falando, desperdiça milhões de reais anuais de dinheiro público canelense.

O case de sucesso de Canela na gestão de resíduos de 20 anos atrás se deu por educação e regramento. Tenho absoluta convicção que pichações, perturbação sonora e despejo de lixo em qualquer lugar teriam o mesmo destino se tratadas com a seriedade que merecem.
Surpreendentemente ou não, no topo das demandas mais recorrentes da comunidade para com seus vereadores estão esses itens que acabo de citar. Certamente nem o maior dos ingênuos deve achar que é coincidência. Eu mesmo recebo diariamente pedidos para fiscalização de algo relacionado a estar em desacordo com o código de posturas do município.

O descumprimento das regras precisa, neste momento, de todo o rigor da lei, mas se o objetivo for a resolução a longo prazo de fato, os esforços têm que se concentrar na escola.