Oásis Santa Ângela











Acredito que o assunto mais falado em Canela nesses últimos dias está relacionado ao anúncio do encerramento das atividades do Oásis Santa Ângela. Fui procurado por mais de uma dezena de pessoas pedindo providências ou, também, para compreenderem melhor o que de fato acontece neste momento.

A comoção é justificada, afinal, a instituição é uma das mais antigas de Canela e cumpre um papel que no mínimo pode ser chamado de fundamental em uma cidade que sempre gabou-se de ter características de um lugar com boa qualidade de vida.

Para entendermos toda a situação, é preciso, antes de mais nada, compreender que se trata de uma instituição privada, sem relação com a paróquia de Canela, muito menos com a Prefeitura. Em realidade é uma ordem de origem italiana que possui várias entidades pelo Brasil, como geriatrias, escolas e até hospitais.

Por ser filantrópica, tem algumas características próprias como não ter fins lucrativos, isenção de diversos impostos, mas também ter de abrigar e atender no mínimo 50% dos usuários com contribuição mensal de 70% de sua renda, o que na prática são valores que muito dificilmente cobrem o custo individual de cada interno.

De acordo com o comunicado, há mais de 10 anos o Oasis tem prejuízo anual superior a R$ 300 mil, chegando a mais de meio milhão em períodos da pandemia. Sabendo disso, várias entidades canelenses e a sociedade civil através de grupos de apoio prestam apoio de suma importância para a sobrevivência da casa, como sempre fizeram.

Mesmo assim, no último final de semana é comunicado que a decisão do encerramento das atividades é final e irrevogável. Decisão essa que foi tomada por assembleia e, por conseguinte, vencida pela maioria dos votos.

Mas por se tratar de uma instituição filantrópica, por ter recebido apoio durante toda a sua existência por parte de uma parcela da comunidade e, principalmente, por oferecer um serviço vital para a cidade, creio eu que a decisão poderia e deveria levar em consideração o impacto tão imediato que causou.

Falo isso porque, embora não seja de minha conta, há inúmeras formas de rentabilizar e cobrir o déficit mensal apresentado como a justificativa para o encerramento. Seja através do poder público, da iniciativa privada, ou mesmo do aproveitamento do valioso terreno.

Não creio que todas as possibilidades foram esgotadas como possíveis soluções para o impasse e mesmo que fossem, por se tratar de uma história de meio século, quem sabe o prazo dos módicos 45 dias poderiam ser estendidos para melhor lidar com a delicadíssima situação de mudança de vida para com pessoas em situação igualmente delicada.

Em verdade, por não existir substituto para o Oásis, um prazo maior seria até mesmo um gesto de carinho com o município e seus munícipes para que pelo menos pudessem planejar melhor o futuro.

Não estou dizendo que a instituição não tem prerrogativas, autonomia ou o direito de decidir seus caminhos, pelo contrário. Por ser privada goza de total respaldo para deliberar sobre o que lhe cabe e o que lhe pertence através de suas hierarquias e administração dos bens. Mas será que uma decisão tão abrupta não é também uma decisão com certa falta de sensibilidade?

Houvesse antes um comunicado com a intenção do encerramento e uma mobilização melhor e articulada poderia ter sido criada até mesmo em caráter definitivo para manter a sobrevivência da entidade.

Não tenho dúvida alguma de que se conhecimento a comunidade tivesse, ações de vários lados poderiam ser construídas, afinal, o Oásis é praticamente um patrimônio de Canela, um querido patrimônio na realidade.

Em uma corrida contra o tempo estão acontecendo reuniões entre classes, envolvidos, familiares, forças políticas e jurídicas para tentar reverter ou, pelo menos, dialogar, mas embora haja um tremendo esforço, parece que de fato a decisão é final.