Um Pedágio Muito Polêmico











A polêmica da vez é o anúncio de 23 novas praças de pedágios em estradas que ligam Porto Alegre a Canela. E, antes de mais nada, acredito que é tão polêmica, não só pelos pedágios, mas na forma de decisão, comunicação e ausência de diálogo com quem de fato será impactado.

O modelo proposto é o sistema Free Flow, ou seja, não há cancelas, pessoas ou qualquer estrutura, exceto por câmeras que fazem a leitura da placa e posteriormente geram uma cobrança. Essa cobrança não é fixa, mas sim proporcional à distância percorrida. Com subsídio do Governo Estadual a tarifa foi definida em R$ 0,21 por quilômetro rodado.

Isso ocorre em praticamente todos os países desenvolvidos do mundo e, de certa forma, é até mais justo que os modelos convencionais. A título de exemplo: hoje para ir a Porto Alegre o custo do pedágio é de R$ 7,10, onde se roda em média 120 km. Exatamente a mesma tarifa é o custo para ir de Canela até a Barragem do Salto, mas a distância é de pouco mais de 10 km, ou seja, o mesmo desembolso, mas em percursos absolutamente diferentes em proporções.

O problema maior, pelo menos na minha visão, está na ausência de justificativa para implantação dos pontos de cobrança. Será ampliada a estrada ou duplicada? A concessionária de uma ERS será a mesma para outra ERS? ninguém sabe.

Além de tudo isso, o sistema Free Flow, embora aparentemente muito interessante, acumula dezenas de milhares de reclamações e denúncias quanto a cobranças indevidas, multas de trânsito pela falta de pagamento e, principalmente, dificuldade de pagamento.

Para aqueles que não possuem Tags de cobrança automática a tarefa nem sempre é fácil e clara. Há a necessidade do usuário saber qual é a empresa responsável pela determinada praça, entrar em seu site ou aplicativo e com a placa do carro e um e-mail realizar o pagamento.

Imagino o transtorno de ter de fazer uma viagem de fim de ano e ter de entrar em quatro ou cinco sites diferentes para efetuar um pagamento. E caso o cidadão se esqueça de um deles, multa.

E diante de tudo isso, protocolamos hoje na Câmara de Vereadores uma moção de repúdio a medida proposta pelo Governo do Estado. Isso não se trata de uma ação politiqueira, mas sim na formalização de um documento que foi enviado para todas as câmaras das cidades próximas a Canela. O intuito é pressionar o governo a, pelo menos, dialogar com os afetados e mostrar concretamente os objetivos que a proposta busca.
Eu, particularmente, ainda estou tentando compreender a necessidade da cobrança entre o centro de Canela e o Parque do Caracol. Gostaria de ter acesso ao estudo que indicou isso. Sem ele, me parece ser apenas arrecadatório.

Pedágios são um mal necessário. É utopia pensar em boas entradas no Brasil sem a concessão e consequente cobrança. Mas mesmo acreditando nisso, não se pode aceitar decisões de tamanho impacto sem discussão. A boa política se faz com diálogo e se entramos neste meio para tentar fazer diferente do habitual, não se pode aceitar menos do que isso.