Aeroporto de Canela











Nessa semana, mais precisamente na terça-feira, não teve quem não viu um pequeno avião circulando pelo céu de Canela durante todo o período da tarde.


Na internet, claro, vários palpites, mas quem estava mais próximo do aeroporto percebeu que se tratava de testes e, de fato, eram.

Denominado GEIV, são procedimentos que consistem no mapeamento e testagem dos equipamentos aeroportuários e são realizados por pilotos da FAB (Força Aérea Brasileira) com objetivo da posterior homologação da pista de Canela e de seus equipamentos.

Isso é resultado do investimento de ampliação feito pela INFRAERO desde que assumiu o aeroporto e com a homologação a pista passa a ser uma possibilidade para mais alguns tipos de aeronaves.

Voltando um pouco no tempo, com as cheias de maio de 2024, Canela e Gramado se viram reféns do Aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre e algo que já era para ter saído do papel pelo menos 20 anos antes tomou uma proporção maior dentro da comunidade e do trade turístico.

Anualmente 2 milhões de passageiros desembarcam em Porto Alegre rumo a Canela e Gramado, portanto, mercado e demanda são indiscutíveis. Então porque ainda não temos voos regulares para cá?

Para responder podemos voltar para o início dos anos 2000. Mesmo não sendo de conhecimento amplo, a prefeitura de Canela chegou a comprar uma área para a construção de um aeroporto naquela época. Depois de alguns percalços com licenças ambientais e falta de vontade política com troca de governos municipais, o assunto esfriou e a área permanece até hoje sem uso.

Somente quando ficamos sem opção alguma de receber turistas no ano passado é que surgiu a necessidade urgente de termos nosso próprio aeroporto. Nesse ponto surge a discussão: fazer um novo ou ampliar o que temos?

De fato dividiu e continua a dividir opiniões, mas com a concessão a INFRAERO ficou mais visível que a aposta mais óbvia e, principalmente mais rápida, seria em ampliar o já existente e passar de vermos pousos e decolagens de pequenos aviões privados para uma estrutura capaz de receber voos comerciais.

Com a ampliação e homologação Canela poderia receber aeronaves ATR 72, atualmente operadas apenas pela Azul, o que já seria um marco para a região. Mas, infelizmente, sabe-se que os movimentos da companhia estão na direção da diminuição da frota desse modelo, o que, neste momento, é uma péssima notícia para nós.

Mas recentemente a companhia Latam anunciou um investimento pesado em aviação regional com a compra de aeronaves Embraer 195. E segundo informações que tive, para receber vôos operados com este equipamento o aumento necessário da pista não seria tão expressivo, portanto, viável para o terreno que possuímos.

Até lá, há um bom caminho, mas não o vejo tão distante. Há muito pouco atrás nem imaginávamos receber voos comerciais dentro da cidade, hoje já temos uma pista ampliada e equipamentos sendo homologados. Não fosse uma decisão estratégica da Azul, possivelmente já estaríamos negociando voos para cá.

Mas mais do que isso, o fator de possuir comprovadamente mais de 2 milhões de pessoas desembarcando em Porto Alegre todos os anos exclusivamente com destino à Serra Gaúcha é mais do que justificável para um investimento em infraestrutura e uma aposta segura pelas companhias e operadoras.

Claro que não seria absorvido todos esses passageiros em nosso aeroporto. Haverá a maioria a continuar chegando em Porto Alegre devido a tarifas competitivas, mas também haverá o público disposto a desembolsar uma quantia bem maior pela conveniência de descer diretamente no destino final. E isso é ótimo, afinal de contas é um público com chances reais de deixar seu dinheiro na cidade.

Eu diria, portanto, que um aeroporto com capacidade para receber voos comerciais em Canela não é um sonho mais tão distante. Atrasado algumas décadas e em um local diferente do planejado anteriormente, sim, mas ainda em tempo de ser um verdadeiro divisor de águas de Canela antes e Canela depois.