Um novo Plano Diretor











Canela se encaminha para receber um dos trabalhos mais importantes para qualquer município brasileiro, o Plano Diretor. Para aqueles que não compreendem a importância desse trabalho, ele nada mais é do que o planejamento da cidade por pelo menos dez anos, já que é feito um novo após esse mesmo intervalo de tempo. Em outras palavras, é o norte do desenvolvimento do município.

O Plano define o que pode, o que não pode, mas mais do que isso, define onde a cidade quer chegar e que ferramentas utilizará para alcançar seu objetivo. Ao longo dos últimos dois anos um extenso levantamento de dados acerca de tudo que envolve a cidade de Canela foi compilado para se transformar em uma lei com quase 500 artigos.

Dados demográficos, sociais, construtivos, ambientais, capacidade escolar, capacidade de atendimento em saúde, renda per capita, capacidade de empregos, entre tantas outras variáveis servem de base para elaborar esse planejamento. É comum observarmos por vezes, entretanto, que a percepção das pessoas em encarar o Plano Diretor está ligada a algo reduzido ao número de pavimentos permitidos ou como uma oportunidade mercadológica. Não deixa de ser, mas é muito mais do que isso.

Saber onde construir deve levar em consideração, por exemplo, a capacidade de rede de esgoto, abastecimento de água, escolas próximas, mobilidade urbana, recolhimento de resíduos, ou a definição de qual área a cidade quer desenvolver e crescer. E somente considerando as variáveis inerentes de uma intervenção para tratar a cidade com o zelo necessário que ela exige.

Ignorar variáveis e o impacto da intervenção humana sobre um lugar pode levar ao colapso, muitas vezes sem possibilidade de volta. Riscos ambientais e recursos finitos devem ser postos na balança. Da mesma forma que os econômicos e o bem estar social.

Até porque, em última análise, o Plano Diretor busca nada mais do que sustentabilidade. E sustentabilidade significa um tripé de três grandes pilares de mesmíssima importância: meio ambiente, economia e o fator social. O equilíbrio entre esses três fatores é o desenvolvimento que se espera para uma cidade que quer prosperar agora e no futuro.

Pensar somente na economia pode levar a degradação ambiental e injustiça social e, logo, ao colapso. Essa lógica se aplica aos outros dois fatores se postos acima uma dos outros, portanto, o que se busca é equilíbrio.

E equilíbrio, ou a busca por ele, exige alguns sacrifícios. O primeiro e mais óbvio é o olhar como um todo para o município e suas pessoas. Tratar individualmente os anseios de cada um certamente não produzirá bons resultados. Mas esse é o preço que se paga por pensar no futuro.

Mas qual o próximo passo? Depois dos ajustes feitos pela Prefeitura, pelo Conselho do Plano Diretor e pela instituição que o elaborou ele irá para a Câmara de Vereadores, onde será analisado e por fim votado. Isso deve levar alguns meses, mas é importante que todo e qualquer ajuste necessário seja feito agora, caso contrário o risco de se tornar mais um documento nas prateleiras da Prefeitura Municipal pode ser grande.

Ele aprovado, caberá aos vereadores e a comunidade cobrar o governo que for pela aplicação em totalidade do que está sendo proposto. Lamentavelmente Canela acumula dezenas de grandes planos e projetos altamente onerosos que jamais saíram de uma gaveta.

Mas o momento pede uma mudança. Basta andar pelas ruas de Canela e adentrar nos bairros que o cenário é preocupante. Crescimento desordenado, aumento populacional sem controle e a estrutura pública sem nenhuma condição de acompanhar esse aumento de demanda.

Embora um pouco tardia, a mudança vem em boa hora.