Uma educação esquecida











Em tempos onde a política brasileira, em todas as suas esferas, sofre, justificadamente, com o descrédito por parte da população por todos os motivos que todos conhecem e que levam a decisões baseadas em interesses próprios, a discussão sobre temas mais profundos, mas necessários, acaba dando a vez a teatros supostamente ideológicos criados para formarem grandes torcidas rivais.

No meio dessa bagunça e chegando mais um período eleitoral próximo é um tanto quanto desanimador perceber que possivelmente teremos eleições sem muito debate de ideias, como vem sendo de costume.

Nessas horas eu me recordo de temas que deveriam ser pautas obrigatórias, mas nem são mencionadas. Eu considero a data 21 de junho sempre um dia de reflexão. Essa foi a data da morte de Leonel de Moura Brizola e, claro, para mim é muito significativa, afinal de contas sou filiado ao partido político fundado por ele.

Há quem o ame, há quem o odeie, mas o fato é: poucas pessoas dedicaram tanto tempo e esforço durante suas vidas para discutir a educação tão veementemente quanto ele. Aqui não quero entrar na discussão ideológica, mas dar a devida importância ao tema, porque realmente considero crucial no momento em que vivemos.

Deixando de lado essa atual polarização política entre direita e esquerda, que na minha opinião não passa de cortina de fumaça para apenas alguns interessados e focando no tema educação, até poderemos ter várias vertentes de pensamentos e visões, mas dificilmente qualquer pessoa que seja, independente da doutrina que considera ideal, vai discordar que é a educação a chave para transformação da sociedade.

Acredito, com todas as minhas forças, que possivelmente boa parte dos problemas que enfrentamos hoje têm relação direta com a qualidade da educação ofertada. E o pior, são problemas que existem há décadas e sem a devida atenção serão motivo de discussão daqui a 30, 40 ou 50 anos da mesma forma que hoje.

O modelo de escola em tempo integral proposto por Brizola e Darcy Ribeiro conhecido como CIEP (Centro Integrado de Educação Pública) é justamente criado para promover uma educação pública de alta qualidade integrando-a com a comunidade.

Ele se compara a modelos oferecidos em países desenvolvidos e garante a permanência dos alunos na escola durante um período maior que o habitual recebendo, além de educação de qualidade, formação social, atividades complementares, refeições e até atendimento médico e odontológico.

Trago esse exemplo aqui porque quando vejo a criminalidade em crescência na nossa região, vejo a necessidade de forças de segurança, sim, mas também vejo a oportunidade de agir positivamente garantindo a oportunidade de uma vida melhor em uma criança para que a mesma não venha a adentrar neste mundo futuramente.

Quando vemos tubulações obstruídas com resíduos domiciliares não permitindo a passagem da água e consequentemente alagando as ruas, como vimos no último final de semana em uma porção de ruas de Canela, enxergo a oportunidade de ouro de levarmos essa importância às crianças.

Da mesma forma com as dezenas de denúncias que os moradores dos arredores do Parque do Lago tiveram de fazer em decorrência do som alto durante a madrugada, há a necessidade da fiscalização, mas também pode-se usar da educação como prevenção a situações futuras semelhantes;

Talvez essa seja a palavra adequada: prevenção. Investir em educação é significado de prevenir problemas do hoje no amanhã. Crianças são os adultos do amanhã.

E em investimento me refiro a ir muito além de estrutura física, que por sinal é vergonhosa, mas investir na força humana que são professores, monitores e todo o corpo que move uma escola.

Por isso não poderia deixar de passar essa data em branco e lembrar da importância constante dessa discussão, até porque discutir educação nunca é demais. Ainda mais em tempos em que nossos representantes maiores preferem fechar os olhos e oferecer medidas fantasiosas e mágicas para a resolução dos problemas, criando os salvadores da pátria.

É tentador, porque é mais fácil. O resultado de uma ação potente de hoje pode levar décadas para gerar o resultado,é difícil, dá trabalho, mas neste caso não existe milagre. A resolução das nossas dificuldades de forma definitiva deve atingir a raiz dos problemas. E, na minha humilde opinião, boa parte dessa raiz é a falta de seriedade com a educação.