O relógio do outro lado da rua











não tava certo aquilo
mas era maravilhoso,
apenas.
conforme eles saiam da praça
veio uma dupla que disse um
para o outro:
“olha,
do jeito que você atrai desastre,
pode esperar”
ao mesmo tempo
que alguém corria para o relógio:
“um dois, três Renata!”
sim, era pega-pega em plena madrugada
Do outro lado da rua também estava
a chave deles,
que deveria ser dada a um duende
antes do sol nascer.
ao mesmo tempo que eles tinham pressa,
o relógio marcava meia-noite há dias
o que tirou Humberto do ar:
era,
enfim,
a esquina de sua vida?
o jogo, a estranheza, a reunião daquelas pessoas,
seus amigos
pareciam uma chance para mudar sua vida.
logo ele voltou a ouvir o que os outros diziam
era São Pedro, afinal,
flutuando pesadamente.
seu olhar trazia dúvida e suas mãos recolhiam as chaves
desconfiado
“não parece que ele tá com…
receio?”
disse Bela
“isso é novo,
um santo com receio,
é a primeira vez que eu vejo isso”
arrematou Humberto, se juntando aos outros