Frente e verso











“Telma, eu não consigo ver
onde isso vai dar,
mas nós começamos a jogar um jogo
muito parecido com RPG
que tá entrando na realidade de um jeito
que só jogando pra você acreditar”
“RPG? mentira! eu sempre quis jogar!
a gente tava falando nisso antes de dar esse rolo todo.
foi jogando que o Renan e o Thiago começaram a se falar, né?
quem é o mestre? Thiago?”
“não é a irmã do Jorge, amigo do Thiago que veio fazer uma tatuagem”
“uau! e cadê ela?” “agora
eu não sei, mas ela veio aqui
abriu o jogo de um jeito surpreendente, como uma personagem
e deu essa caixa que tem um manual para…
an… criar estratégias. depois ela deixou algumas pistas
e sumiu do mapa.
uma das pistas é que estamos presos dentro de um Hotel California
daí estamos desde a sua ida
debatendo o que pode ser esse Hotel California”
“da música dos Eagles?”
“isso, ela mesma”
“cara, ela é demoníaca,
eu já viajei muito na letra dela”
“pois é, é o que estamos fazendo.
aí é começa a ficar bem estranho
lembra do primeiro verso,
que fala do vento fresco no cabelo do cara?
foi o vento do lago que nos trouxe aqui”
“nossa, é mesmo
todo mundo se juntou nos banheiros pra se proteger da ventania
quando apareceram aqueles malucos com o celular na mão. mas
e daí?
“e daí que nós viemos nos abrigar aqui, como o cara no hotel
e entramos em uma parada que não sabemos bem o que é.
entramos na brincadeira e quem estava na entrada,
no limiar entre o real e o jogo?
ela, nossa mestra dos magos.
ok. até aí a gente relevou,
só que quando vocês tocaram o sino, the mission bell,
eu gelei”
“Ana, e eu lá tenho culpa
do Thiago ter um sino e não uma campainha eletrônica?”
“Telma! são justamente essas coincidências que assustam!
e pra piorar, os caras do lago estão atrás de nós”
“you can check out any time you like but
you can never leave!”