“Teremos uma data religiosa e familiar, é fundamental que tenhamos cuidado”, diz superintendente do HASM

Márcio Slaviero. Foto: Lucas Rodrigo/GN.








Em entrevista para a Rádio Gramado FM, no programa Gramado Entrevista, o superintendente do Hospital Arcanjo São Miguel (HASM), Marcio Slaviero, falou sobre a pandemia, que está completando um ano desde os primeiros casos de contaminação confirmados em Gramado. Primeiramente Márcio agradeceu a Prefeitura de Gramado pelas homenagens aos profissionais da Saúde e lembra dos primeiros casos de Covid-19 detectados no município.

“Tivemos todo um período de organização de estrutura física, organizamos equipes, compramos insumos, medicamento e EPI’S. Em março e abril tivemos os primeiros casos: os turistas que tiveram que ficar em isolamento no hotel e uma residente de Charqueadas que testou positivo e veio fazer o isolamento em Gramado. Fomos nos estruturando, abrimos a UTI Covid. Em julho tivemos a chegada da primeira onda, que veio mostrando a força que tem essa doença”, lembra o superintendente.

Durante a entrevista, Márcio também relembra e alerta sobre o número de internados deste ano, relativo ao ano de 2020. “Nos piores momentos do ano passado tivemos 36 pacientes internados. Este ano, em duas semanas, tivemos mais de 60 pacientes. Hoje estamos com 33 pacientes”. Ele explica que a estrutura hospitalar tem três pés muito importantes: a estrutura física, os insumos e medicamente e o recurso humano. Revela, que atualmente, com um novo pico de aumento dos casos que iniciou em fevereiro, o mais difícil encontrar recurso humano. Podemos até aumentar as estruturas, mas não temos profissionais”, coloca Slaviero.

Também esclarece que este último pico no aumento de casos e óbitos foi causado pela variante brasileira P1, que trouxe com ela características diferentes e mais agressivas que o Covid-19. “Janeiro tivemos uma doença nova, pois essa variante atinge adultos, jovens e adolescentes numa proporção maior, agride mais rapidamente e mostra que é mais letal”, diz.

Mutação

Vivendo em meio a essa pandemia há cerca de um ano, Slaviero conta que os profissionais ligados a área da saúde de Gramado estão em contato constante com profissionais de outros estados e até de fora do país. Segundo o superintendente, é uma forma mais segura de saber como as novas variantes do vírus tem se comportado, como também o que os profissionais tem descoberto em relação aos tratamentos.

“O vírus é uma constante evolução, essa variante brasileira P1 já teve cerca de 12 mutações identificadas. A gente tem um receio, porque o Brasil hoje é um país onde o vírus circula com grande velocidadee isso faz com que ele se adapte mais facilmente”, relata.

Na opinião de Márcio, é importante que esteja todo mundo vacinado. “Para o mundo em geral não adianta ter países totalmente vacinados e outros não. Os que não se vacinaram podem desenvolver mutações que a vacina não cobre. Por isso a preocupação, que o mais breve esteja todo mundo imunizado”, expõe.

Apelo

Ao final da entrevista ele faz um apelo para a comunidade em relação ao feriado e as comemorações de Páscoa e alerta que as pessoas que já contraíram a doença podem ser vetores de transmissão, como podem contrair o vírus novamente ou ser infectados pelas variantes.

“Mesmo quem se vacinou e mesmo quem já teve a doença tem que manter os cuidados. Primeiramente a gente precisa olhar os cuidados que precisamos ter e entender que a maior contaminação ocorre em casa. O vírus é invisível e está em todo mundo, mesmo sendo alguém querido nosso, temos que manter os cuidados. Teremos uma data religiosa e familiar, é fundamental que tenhamos cuidado”, apela Slaviero.