Atos











“o ‘rolê’ estava incompleto, tava na cara.
o Humberto ainda não havia chegado,
o Jacques e a Bela estavam estranhos
e o Robledo estava com um vinho horrível
jurando que depois do segundo gole
dava pra beber numa boa.

tinha algo ruim, incomodando

o Rafa já tinha passado pra pegar a grana e
tava evidentemente chapado
com os olhos estranhos, ausentes.
ninguém tava no clima
e a tendência geral era
‘mais do mesmo’, que a noite
seria como as outras

foi aí que resolvi fazer um negócio diferente.
um brother meu – o Thiago, sabe? –
tava treinando pra ser tatuador
e tava tatuando de graça pra divulgar o trabalho dele e tal
daí eu pensei:
vou levar esses caras pra zoeira,
quem sabe alguém não cai na pilha

mandei mensagem pro Thiago
e ele me disse que um amigo dele ia pra lá
e que a gente podia aparecer por lá
um pouco depois da meia noite
aí eu fui sacanear o Thiago,
dizendo que ele não precisava ter vergonha de
apresentar o namorado pra gente
e ele contou que o cara era todo místico,
que ia reunir as energias pra fazer a tatoo dele e tal,
e que por isso ia precisar desse tempo solo com o maluco
pô, era a história perfeita, saca?

cheguei nos caras e mandei um papo que
a atmosfera lá no Thiago era muito doida
que parecia coisa de outro mundo mesmo
aí eu nem tinha terminado de falar
e o Jacques já saiu falando que a gente devia ir pra lá
porque lá ele iria provar a teoria do tempo esférico
uma viagem que ele tinha na época

e foi assim que a gente mergulhou na noite mais estranha
da minha vida”