Primeira Rainha das Hortênsias completa 87 anos











Nascida no dia 15 de agosto de 1932, em Santa Catarina, Iraci Casagrande Koppe foi trazida para Gramado com cinco anos de idade, pelos seus avós, Henrique e Pierina Bertolucci. Em meados de 1940, Iraci foi Rainha do Carnaval na Sociedade Recreio Gramadense. Em 1958 foi eleita 1º Rainha das Hortênsias e pelo trabalho que desenvolveu enquanto Rainha, recebeu o título de afilhada da imprensa gaúcha. Casada com Amandio Koppe, é mãe de Lilian Casagrande Koppe e avó de Enrico Casagrande Koppe, nascido em 2016. Historiadora, pesquisadora e escritora da história de Gramado, em 1995 foi agraciada com o título de cidadã gramadense.

GN – Como é completar 87 anos?

Iraci – Surpreendente.

GN – O que Iraci Casagrande Koppe destaca nestes 87 anos de vida?

Iraci – Uma trajetória feliz, incluindo meu casamento com o Amandio Koppe, nascimento da minha filha Lilian e agora uma dádiva do céu, meu netinho Enrico que completa minha felicidade. A família feliz, mantem a alegria de viver.

GN – Um momento marcante na sua trajetória como Rainha das Hortênsias?

Iraci – Ter sido escolhida para representar nossa cidade, a coroação de 1º Rainha das Hortênsias e o fato de ter sido adotada como afilhada da imprensa gaúcha.

GN – Como Iraci Casagrande se descobriu escritora?

Iraci – A saudade do Hotel Bertolucci, dos meus avós que me criaram, Henrique e Pierina, com quem vivi minha infância e mocidade cheia de carinho e afeto. A saudade do Gramado antigo, das serenatas, dos grandes bailes, da Sociedade Recreio, do cheiro da mata, a beleza das cascatas, a amizade entre os jovens gramadenses me fizeram querer escrever sobre. Naqueles tempos, não existia celular, rádio e nem televisão e era-se feliz, talvez mais do que hoje somos.

GN – O que escrever representa na sua vida?

Iraci – Ao escrever vivo intensamente as emoções do passado.

GN – Quais os livros já foram lançados?

Iraci – A princípio, muito escrevi sobre a história de Gramado no Jornal de Gramado, em parceria com Gilberto Drecksler. Do nosso trabalho resultou o primeiro livro “Era uma vez”. Posteriormente, lançamos “Eterna Sociedade Recreio Gramadense”, “Retratos” que conta a história de Gramado através de fotografias antigas e “Romantismo”. De minha própria autoria, “Raízes II de Gramado”, “Centenário da Igreja São Pedro” e “Gramado. O Lago, as Hortênsias e o Turismo”. Esse último descreve como iniciou o turismo em Gramado e a pujança da nossa antiga comunidade na época. O tema de todos os livros é sobre o passado da nossa cidade.

GN – Além de escritora e historiadora das histórias de Gramado, quais os outros trabalhos que desenvolveu na cidade?

Iraci – Desde muito jovem sempre participei de programas sociais. Existe um documento sobre a inauguração do Hospital São Miguel com data de 1945. Nele aparece meu nome em um bazar pró-hospital. Na ocasião eu era uma jovenzinha. Por volta de 1950 promovi no hotel dos meus avós, um curso administrado por funcionárias do Departamento Estadual da Saúde para as gramadenses. O curso consistia em Higiene Alimentar, Escola de Mães e Economia Doméstica, todos com diploma. Fundei o Berçário da Criança Pobre de Gramado, que foi dirigido pela senhora Irma Peccin. Em 1967, a pedido do Prefeito Nelson Dinnebier, assumi o Arquivo Municipal, Museu Municipal, Museu de Arte e CONFAG Patrimônio Histórico. Fundei o Arquivo e Museu dos Festivais de Cinema. Por minha solicitação o Prefeito efetivou o Hino de Gramado de autoria do Padre Scholl. Também promovi, enquanto diretora do arquivo, muitos eventos no Centro Municipal de Cultura, principalmente históricos. Durante muitos anos lecionei arte e costura para as jovens gramadenses. Por motivo de doença dos meus avós, assumi o hotel e o transformei em Restaurante e Galeto Napolitano. Dirigi por um ano. Passei a fazer parte da Academia Gramadense de Letras.

GN – Qual a fórmula para manter-se com tanta vitalidade aos 87 anos?

Iraci – Não exagerar na alimentação, caminhar muito, manter a mente tranquila com bons pensamentos, desejar o bem a todos, saber perdoar, fazer e manter boas amizades e participar de programas culturais.

GN – Um sonho?

Iraci – Alongar meus anos de vida com saúde. Continuar escrevendo lembranças do passado de Gramado para que a história não se apague.

GN – Uma realização?

Iraci – A chegada do meu netinho Enrico.

GN – O que mais ama na vida?

Iraci – A própria vida!

GN – Quem é Iraci Casagrande Koppe?

Iraci – Uma pessoa simples, romântica, sem grandes vaidades.

GN – O que a faz feliz?

Iraci – Poder transmitir minha felicidade e ser uma autêntica gramadense.

GN – O que deseja para Gramado nos próximos anos?

Iraci – Que os jovens de amanhã, pensem na responsabilidade de manter e resguardar o título de nossa cidade ” Gramado, capital do turismo do Rio Grande do Sul”, com muito orgulho, como nossos antepassados sempre fizeram.